CVM dá vitória a Goldman e Centaurus em disputa sobre OPA na Oncoclínicas
Área técnica concluiu que a Centaurus já detinha mais de 15% antes do IPO, em 2021, e afastou a obrigação de oferta pela totalidade das ações.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Parecer da GER-1/SRE concluiu que não houve entrada de novo investidor, mas redistribuição de uma posição já existente.
Centaurus detinha indiretamente mais de 15% da Oncoclínicas antes do IPO de agosto de 2021 via estrutura Josephina.
Latache, com 14,59% das ações, vai recorrer ao Colegiado da CVM e mantém a OPA como tese central.
A área técnica da CVM deu parecer favorável ao Goldman Sachs e à Centaurus Capital na disputa sobre a realização de uma OPA na Oncoclínicas (ONCO3).
O entendimento afasta, por ora, a tese de acionistas minoritários que pedem a oferta pela totalidade das ações. A Latache, dona de 14,59% da Oncoclínicas, mantém a OPA como tese central do investimento e diz que vai recorrer.
Parecer afasta entrada de novo investidor
A Gerência de Registros-1 (GER-1), da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), concluiu que não houve entrada de novo investidor nas transferências de ações de novembro de 2024 e março de 2025. Para a área técnica, houve apenas redistribuição de uma posição já existente entre Goldman Sachs e Centaurus.
Segundo o parecer, a Centaurus detinha indiretamente mais de 15% da companhia antes do IPO, em agosto de 2021. A fatia era mantida desde 2018 dentro da estrutura de coinvestimento Josephina, controlada pelo Goldman Sachs.
O artigo 39 do Estatuto obriga quem chega a 15% do capital a fazer OPA pela totalidade das ações. O parágrafo 8º, porém, dispensa da oferta quem já era dono dessa fatia na data do anúncio do IPO, em agosto de 2021.
CVM admite "fragilidade" na estrutura Josephina
Antes da reorganização, o Josephina II FIP detinha diretamente 72,51% do capital da Oncoclínicas. Dentro do veículo, a fatia econômica da Centaurus era de 31,81%, atrás da gestão discricionária do Goldman Sachs.
O parecer reconhece "zonas de fragilidade" na posição da Centaurus. "Não era garantido que ela receberia ações de Oncoclínicas nos termos das referidas cláusulas contratuais", diz o documento.
A área técnica argumenta que o estatuto não definiu o que conta como "direitos sobre as ações" e que a exceção foi feita para dispensar da OPA os dois grupos que já integravam a parceria no IPO.
Latache vai recorrer ao Colegiado
A Latache informou ao NeoFeed que vai recorrer ao Colegiado da CVM. A gestora afirma que a OPA segue como tese central do investimento e que pretende manter a posição na companhia.
A ABRAICC já havia pedido, em abril, a avocação do caso pelo Colegiado, sem sucesso. O fundador Bruno Ferrari também se manifestou no processo questionando a tese da Centaurus.