CVM manda Centaurus fazer OPA da Oncoclínicas em até 60 dias
Colegiado rejeitou por unanimidade a tese de que a exposição econômica anterior ao IPO já cumpria a cláusula estatutária de 15%.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 3 veículos. Como fazemos
Em resumo
Prazo da OPA termina em 25 de outubro, contado da decisão de 25 de agosto
Preço terá correção pela Selic desde 4 de novembro de 2024; estimativas citam cerca de R$ 20 por ação
Ação ONCO3 subiu 9,71% em 26 de agosto e acumula alta de cerca de 249% no mês, de R$ 0,55 para R$ 1,92
O colegiado da CVM decidiu por unanimidade que a Centaurus Capital faça uma OPA da Oncoclínicas em até 60 dias (ONCO3). A decisão saiu na terça-feira, 25 de agosto, e derrubou o entendimento da área técnica da autarquia, que havia dispensado a operação.
A operação pode se tornar a maior OPA contenciosa já registrada no mercado brasileiro. O preço não foi fixado na decisão: segue o artigo 39 do estatuto, com correção pela Selic desde 4 de novembro de 2024.
Estimativas citadas pelo Times Brasil apontam desembolso de até US$ 1,7 bilhão, cerca de R$ 8,7 bilhões. Projeções de mercado falam em R$ 20 por ação, mas o valor final depende das regras estatutárias e dos efeitos societários desde 2024.
Prazo termina em 24 de outubro
A Oncoclínicas informou nesta sexta-feira que o prazo de 60 dias termina em 24 de outubro, segundo o InfoMoney. O Times Brasil calculou 25 de outubro como data-limite. A contagem começou na decisão do colegiado, em 25 de agosto.
Comprados depois de novembro também entram
A CVM ampliou a base de elegíveis: participam os habilitados até a véspera do leilão, pelas regras da Resolução CVM 215/2024. Quem comprou o papel depois de novembro de 2024 também pode aderir.
A expectativa em torno da oferta levou ONCO3 a subir 9,71% no pregão de 26 de agosto. No mês, o papel saiu de cerca de R$ 0,55 para R$ 1,92. A valorização chega a 249%.
Voto separa exposição econômica de titularidade
Os votos dos diretores Igor Muniz e João Accioly e do presidente Otto Lobo foram detalhados nesta sexta-feira. Muniz separou exposição econômica de titularidade das ações. Para ele, o limite de 15% do estatuto foi superado em 4 de novembro de 2024, quando 104,6 milhões de ações passaram do Josephina II para o Josephina III. O veículo da Centaurus ficou com 16,05% do capital.
Accioly escreveu que "direito ao valor da coisa não equivale a direito sobre a coisa". Otto Lobo classificou a leitura da área técnica como "excessivamente extensiva".
Goldman Sachs e Centaurus abriram procedimento na Câmara de Arbitragem do Mercado em 21 de agosto contra a Latache. A gestora sustenta que a arbitragem é o foro competente para a disputa comercial. Minoritários defendem que a discussão privada entre sócios não impede o cumprimento da ordem da CVM.
A Oncoclínicas está em recuperação extrajudicial e negocia dívidas estimadas em R$ 5,1 bilhões.