ONCO3: CVM manda Centaurus fazer OPA, sem definir preço nem prazo
Decisão unânime do colegiado atende pedido da Latache, que virou maior acionista com 14,59% e defende piso de R$ 16 por ação.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 5 veículos. Como fazemos
Em resumo
Três diretores votaram a favor dos recursos; Marina Copola declarou impedimento e a quinta cadeira está vaga
Minoritários calculam OPA acima de R$ 16 por ação, perto de R$ 6 bilhões no total
Josephina III questiona a obrigação de oferta em arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado
O colegiado da CVM decidiu por unanimidade, na terça-feira (25), que a Centaurus deve lançar oferta pública de aquisição das ações da Oncoclínicas (ONCO3). A decisão derruba o entendimento da área técnica do regulador, que via a operação como simples reorganização de um investimento já existente. Minoritários calculam que a oferta pode movimentar R$ 6 bilhões, mas a autarquia não fixou preço, prazo nem quem terá direito de vender.
Para quem tem ONCO3, a decisão não significa dinheiro garantido. O valor sairia do comprador e iria para os acionistas elegíveis, sem entrar no caixa da companhia. A dúvida é quem são os elegíveis: uma das leituras limita o benefício a quem já tinha papéis em novembro de 2024, quando a Centaurus apareceu diretamente com 16,05% do capital, segundo o Seu Dinheiro. Quem comprou depois pode receber menos ou ficar fora da oferta.
Preço de R$ 16 por ação vem de regra do estatuto
O artigo 39 do estatuto da Oncoclínicas obriga quem alcança 15% do capital a fazer oferta por todas as ações em circulação. O piso é 120% da cotação mais alta dos 12 meses anteriores, entre outros critérios previstos na cláusula conhecida como poison pill.
O JPMorgan projeta uma oferta de R$ 16 por ação, quase nove vezes a cotação atual, conforme relatório citado pelo InfoMoney. O número não foi confirmado pela CVM. A tese é defendida pela Latache, gestora de ativos estressados que liderou o pedido de OPA e virou a maior acionista, com 14,59% dos papéis.
Centaurus nega obrigação e leva disputa à arbitragem
A Centaurus afirma que já tinha exposição à Oncoclínicas antes do IPO de 2021 e que a reorganização de novembro de 2024, com a fatia do Goldman Sachs, apenas alterou a estrutura do investimento. O fundo Josephina III diz que cabe à arbitragem da Câmara de Arbitragem da B3 resolver o caso e abriu o procedimento na semana passada, conforme o InfoMoney.
A gestora americana vinha reduzindo a posição: em 17 de julho, caiu de 14,76% para 9,91% do capital.
Ação salta 12% e dívida de R$ 5,1 bi segue no radar
Os papéis subiam 12%, a R$ 1,97, por volta de 12h09 desta quarta-feira, depois de marcarem R$ 2,24 na máxima. Na véspera, a ação havia fechado com ganho de 15,13%.
A empresa formalizou em meados de julho um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas. A exigência de OPA não mexe nesse passivo nem garante o pagamento aos acionistas. O inteiro teor do julgamento da CVM ainda será divulgado, e o Josephina III já pediu que a câmara da B3 decida a disputa.