CVM decide por 3 a 0 que Centaurus terá de fazer OPA na Oncoclínicas
Fundo Josephina III discorda da decisão e afirma que a Câmara de Arbitragem da B3 tem jurisdição exclusiva sobre a disputa.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 3 veículos. Como fazemos
Em resumo
ONCO3 avançava 41,74%, cotada a R$ 1,63, por volta das 11h50
CVM julga na terça (25) a OPA que pode movimentar mais de R$ 6 bilhões
A área técnica da CVM já se manifestou contra a obrigatoriedade da oferta
A CVM decidiu nesta terça-feira (25) que a Centaurus Capital terá de fazer uma oferta pública de aquisição de ações da Oncoclínicas (ONCO3). O colegiado votou por 3 a 0, contrariando a área técnica da autarquia.
Numa OPA, quem recebe a oferta pode vender os papéis ao comprador pelo preço definido na operação. Estimativas que circulam no mercado calculam a oferta em cerca de R$ 6,5 bilhões, com preço próximo de R$ 16 por ação. A CVM não fixou esses valores no informativo divulgado após o julgamento, e os votos completos ainda não foram publicados.
Na véspera, a ação subiu 41,74% e chegou a R$ 1,63 por volta das 11h50 de segunda-feira (24), segundo o InfoMoney, à espera da decisão.
Colegiado contraria área técnica
Votaram o presidente Otto Lobo e os diretores João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola se declarou impedida, e uma das cinco cadeiras do colegiado está vaga. A diretoria deu provimento aos recursos contra a Superintendência de Registro de Valores Mobiliários, que analisou o caso duas vezes e manteve a posição de que a oferta não era necessária.
A disputa vem de uma reorganização dos fundos Josephina, concluída em novembro de 2024, quando a Centaurus passou a aparecer com participação direta acima de 15% da Oncoclínicas. O estatuto prevê que quem atinge esse limite deve ofertar a compra das ações dos demais acionistas, com exceção para quem já tinha esse percentual no IPO de 2021.
Josephina quer levar o caso à arbitragem
O fundo Josephina III, veículo ligado à Centaurus, afirmou discordar do resultado e sustentou que a disputa deve ser resolvida pela Câmara de Arbitragem do Mercado da B3, onde abriu procedimento na semana passada. O tribunal arbitral, diz o fundo, "detém jurisdição exclusiva para resolver esta disputa comercial entre sócios de uma empresa de capital aberto".
O que a CVM ainda não definiu
Mesmo com a obrigação da oferta, seguem em aberto:
o preço por ação
a data de referência
quais ações terão direito a participar
A Latache, principal defensora da OPA, tinha cerca de 94,8 milhões de ações antes do aumento de capital de novembro de 2025, o equivalente a 14,5% do capital naquele momento. A esse preço de R$ 16, a posição valeria perto de R$ 1,5 bilhão para a Latache, segundo cálculos do InvestNews. Bruno Ferrari, fundador e ex-presidente da companhia, manifestou-se a favor da obrigatoriedade e poderia receber cerca de R$ 900 milhões com suas 56 milhões de ações.
A Oncoclínicas tenta reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas em recuperação extrajudicial, processo que corre em paralelo ao caso na CVM.