Casas Bahia fecha 298 lojas e equipe de auditoria aponta incerteza sobre continuidade
A EY se absteve de concluir sobre as demonstrações financeiras da varejista, que fechou o trimestre com patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 6 veículos. Como fazemos
Em resumo
Prejuízo líquido de R$ 10,1 bi no 2º tri, com R$ 9,1 bi em itens não recorrentes e R$ 5,7 bi de baixa de IR diferido
Prejuízo ajustado de R$ 978 milhões, 76,2% maior na comparação anual
EBITDA ajustado de R$ 518 milhões (-9,4%) e margem bruta de 32,9% (+2,8 p.p.)
A Casas Bahia (BHIA3) fechou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, ante perda de R$ 555 milhões um ano antes. O balanço saiu na madrugada de domingo (16), depois de dois adiamentos.
Do rombo, R$ 9,1 bilhões são efeitos contábeis não recorrentes da Fase 2 do plano de transformação, sem saída de caixa no trimestre. Descontados esses itens, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões, 76,2% maior que o de um ano antes.
Baixa de crédito fiscal chega a R$ 5,7 bi
A maior parcela veio do Imposto de Renda diferido: R$ 5,7 bilhões, segundo o Times Brasil, ou R$ 5,5 bilhões, na conta do NeoFeed. É o crédito fiscal que a empresa esperava usar para abater impostos futuros e que perdeu valor após a revisão das projeções de lucro tributável.
O balanço também registrou outras baixas:
R$ 971 milhões em ágio
R$ 1,8 bilhão em contingências contratuais
R$ 502 milhões em reestruturação
R$ 210 milhões em imobilizado
As despesas saltaram de R$ 49 milhões negativos para R$ 3,5 bilhões, aponta o InfoMoney.
Receita sobe 1,6% e caixa livre chega a R$ 800 milhões
A receita líquida somou R$ 7,0 bilhões, alta de 1,6%. A margem bruta subiu 2,8 pontos, para 32,9%. O EBITDA ajustado caiu 9,4%, para R$ 518 milhões, e a margem recuou 0,9 ponto, para 7,4%.
O fluxo de caixa livre somou R$ 800 milhões, ante R$ 173 milhões um ano antes. A dívida líquida encolheu R$ 3,8 bilhões em 12 meses. A alavancagem caiu de 2,2 para 0,5 vez. O patrimônio líquido, porém, ficou negativo em R$ 8,1 bilhões.
298 lojas fechadas e recuperação judicial na mesa
O plano prevê o fechamento de 298 lojas, corte de custos e prioridade a margem e caixa no online. O documento admite avaliar "medidas de reorganização formal de seus passivos", incluindo nova recuperação extrajudicial ou judicial. A auditora EY se absteve de concluir sobre as demonstrações, citando incerteza sobre a continuidade da operação.
Segundo o Seu Dinheiro, a companhia protocolou o pedido de recuperação judicial na segunda-feira (17). As ações fecharam a sexta cotadas a R$ 0,66, valor de mercado de cerca de R$ 670 milhões.