Casas Bahia perde 4.647 funcionários e vê estoque-garantia cair 40,5%
Laudo da administradora judicial aponta passivo de R$ 17,32 bilhões e necessidade de até R$ 257,1 milhões em simulação de 30 dias.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Quadro de vínculos caiu de 29.737 para 25.090 entre 3 e 28 de agosto, redução de cerca de 15,6%.
Estoque fiduciário nos centros de distribuição recuou 40,5%, de R$ 3,18 bi para R$ 1,89 bi.
Passivo da recuperação judicial é de aproximadamente R$ 17,32 bi, com 94,76% em créditos sem garantia específica.
A Casas Bahia (BHIA3) confirmou que é verdadeiro o laudo da constatação prévia da recuperação judicial que aponta corte de 4.647 funcionários em agosto. O documento foi elaborado pela ACFB Administração Judicial e apresentado à Justiça em 2 de outubro.
O laudo embasa o processo aberto a partir do pedido feito em 16 de agosto e serve de base para o juiz decidir como a recuperação segue. A empresa diz que as avaliações são da administradora judicial e não necessariamente refletem seu entendimento. A CVM cobrou explicações em 6 de outubro, depois que o conteúdo virou reportagem do Valor Econômico, e a varejista respondeu que o documento não configurava fato relevante.
Vínculos caem de 29,7 mil para 25,1 mil em agosto
Os vínculos de trabalho passaram de 29.737 em 3 de agosto para 25.090 em 28 de agosto. A redução foi de 15,6%. A perícia registrou o fechamento de 298 lojas informado pela companhia, sem datas individuais por unidade. Nas verificações, 735 das 744 lojas operavam regularmente. Quatro dos 29 centros de distribuição apresentavam irregularidades.
Estoque-garantia recua 40,5%, para R$ 1,89 bilhão
As mercadorias dadas como garantia a credores caíram de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão, queda de 40,5% no período analisado. A Times Brasil informa que a perícia vê risco de esgotamento de 65 itens caso os credores retirem os produtos. O relatório cita ainda avisos de corte de energia em 22 unidades e R$ 42 milhões em contas pendentes de infraestrutura digital.
Numa simulação de 30 dias, com caixa inicial de R$ 120 milhões e retenção integral dos recebíveis cedidos em garantia, a companhia precisaria de até R$ 257,1 milhões adicionais no momento de maior pressão. Ao fim do período, a insuficiência ficaria entre R$ 136,4 milhões e R$ 184,2 milhões. A perícia ressalva que o cenário é hipotético.
Passivo de R$ 17,32 bilhões em 28,8 mil credores
A lista de credores soma 28,8 mil registros. O passivo de R$ 17,32 bilhões tem 94,76% em créditos sem garantia específica, 4,36% em trabalhistas e 0,89% em micro e pequenas empresas. O relatório aponta também R$ 756 milhões em depósitos judiciais e recursais.
O laudo é preliminar e ainda passará por contestação das partes e análise do juiz da recuperação judicial. A CVM afirmou que os esclarecimentos prestados não impedem eventual apuração sobre o cumprimento das regras de divulgação.