Casas Bahia obtém aval para reestruturar R$ 17,3 bilhões sob supervisão judicial
Plano ainda depende de aprovação dos credores quirografários, que somam R$ 16,4 bilhões da dívida total do grupo.
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Em resumo
Dívida total de R$ 17,3 bilhões, com R$ 16,4 bilhões sem garantia real
Prazo de 30 dias para documentos pendentes, sob pena de revogação do deferimento
Suspensão das execuções mantida por 180 dias desde 19 de agosto
A Justiça de São Paulo autorizou o processamento da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e de outras nove empresas do grupo. A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais foi divulgada nesta quarta-feira (21).
Para quem tem a ação, a autorização não significa que a reestruturação está acertada. O plano ainda precisa passar pelo voto dos credores, e a decisão desta quarta avaliou apenas os requisitos legais do pedido. A companhia afirmou em fato relevante que manterá o mercado informado sobre os desdobramentos.
Dívida de R$ 17,3 bilhões e 19,4 mil credores quirografários
O grupo protocolou o pedido em 16 de agosto, com dívida de R$ 17,3 bilhões:
R$ 16,4 bilhões em créditos quirografários, sem garantia real;
R$ 754 milhões em créditos trabalhistas;
R$ 154 milhões devidos a micro e pequenas empresas, segundo O Antagonista.
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira deu prazo de 30 dias para complementar documentos, sob pena de revogar a autorização. Faltam demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas e projeções individualizadas por sociedade. A perícia classificou as falhas como pontuais e confirmou o funcionamento das lojas, centros de distribuição e canais digitais.
Juíza mantém stay period de 180 dias
O stay period de 180 dias, que suspende execuções contra o grupo, segue valendo e é contado desde 19 de agosto. A AJ Ruiz Consultoria Empresarial foi nomeada administradora judicial e vai apresentar relatórios mensais. Em até 15 dias, a empresa e a administradora devem listar os depósitos recursais em ações trabalhistas, para que os 24 TRTs transfiram os valores a uma conta judicial, conforme o InvestNews.
"O procedimento deve ser orientado pela preservação da empresa viável e pelo tratamento paritário dos credores", disse a juíza na decisão.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre
A varejista fechou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 10,1 bilhões. Desse total, R$ 9,1 bilhões vieram de eventos não recorrentes, como baixa de ativos e Imposto de Renda diferido. O prejuízo ajustado somou R$ 978 milhões, alta de 76% em um ano, segundo o Money Times.
A receita líquida ficou em R$ 6,97 bilhões, com avanço de 1,6%. O Ebitda ajustado caiu 9,4%, para R$ 518 milhões. A perícia registrou queda de 40,5% no valor dos estoques entre abril e agosto e redução de 4.647 funcionários no período.
Os credores terão 15 dias, a partir da publicação do edital, para apresentar habilitações ou divergências diretamente à administradora judicial.