Casas Bahia dá a Camille Faria a negociação da dívida de R$ 17,3 bi
Justiça de SP aceitou processar o pedido de recuperação e deu 30 dias para a varejista entregar documentos que faltam.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Camille Faria substitui Mateus Tessler na condução das negociações com credores
Justiça deferiu o processamento e estabeleceu prazo de 30 dias para documentos pendentes
Dívida declarada de R$ 17,3 bi, com R$ 16,4 bi quirografários
O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entregou a Camille Faria a negociação com credores e o plano de recuperação judicial. Sócia da Althia Partners, ela comandou a recuperação judicial da Americanas (AMER3) e agora divide a tarefa com a diretoria da varejista, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (23).
Faria substitui Mateus Tessler, a quem a companhia atribui papel importante na estruturação do plano. A transição foi consensual, e Tessler seguirá contribuindo de forma pontual. A consultoria Alvarez & Marsal permanece no processo, com apoio à estruturação e à modelagem do plano.
Dívida declarada de R$ 17,3 bilhões
A tarefa de Faria envolve dívida declarada de R$ 17,3 bilhões, dos quais R$ 16,4 bilhões são quirografários, sem bens dados em garantia. Para quem tem ação ou crédito contra a rede, o plano define quanto será pago e em que prazo. A companhia afirma que a troca não altera a estratégia de reestruturação financeira e tem o apoio do conselho de administração e da Mapa Capital, controladora que assumiu o comando em 2025 ao converter debêntures em ações.
"Nosso foco agora é avançar na construção de um plano de recuperação sustentável que seja viável e equilibrado", afirmou a executiva, em nota.
Justiça cobrou documentos em 30 dias
A juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, deferiu na quarta-feira (21) o processamento do pedido feito em agosto, mas deu 30 dias para documentos pendentes. Se o prazo não for cumprido, a varejista pode perder a autorização.
Entre as pendências estão demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas do grupo, projeções financeiras individualizadas e a atualização da lista de credores. A decisão manteve a suspensão das execuções contra a rede por 180 dias, contados desde 19 de agosto.
Perícia viu 735 das 744 lojas abertas
O Ministério Público de São Paulo avaliou em 15 de outubro que o grupo demonstrou atividade e viabilidade econômica. A perícia da ACFB Administração Judicial encontrou 735 das 744 lojas físicas abertas. Dos 29 centros de distribuição, 25 operavam, e a fábrica de móveis Bartira seguia ativa.
A Lei de Recuperação Judicial e Falências dá 60 dias, a partir da publicação da decisão, para a empresa apresentar o plano detalhado, que depois precisa do aval dos credores.