Dívida da Casas Bahia fora da recuperação judicial chega a R$ 11 bi
Bradesco e Banco do Brasil concentram R$ 6,5 bi dos créditos extraconcursais, que terão de ser negociados fora do plano.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 3 veículos. Como fazemos
Em resumo
Dívidas fora da RJ somam R$ 11 bi, contra R$ 17,3 bi incluídos no pedido
Bradesco aparece com R$ 4,1 bi e Banco do Brasil com R$ 2,4 bi em créditos extraconcursais
Passivo total a ser reorganizado chega a R$ 28 bi, com cerca de 28 mil credores na RJ
A Casas Bahia (BHIA3) tem R$ 11 bilhões em dívidas fora da recuperação judicial, além dos R$ 17,3 bilhões incluídos no processo. O passivo a reorganizar chega a R$ 28 bilhões.
São os créditos extraconcursais, que a lei deixa de fora da renegociação em juízo. Encaixam-se aí operações garantidas por cessão fiduciária de recebíveis, em que o banco retém parte do que a varejista tem a receber, e as dívidas tributárias. Para quem tem a ação, o plano que sair da RJ não resolve esse pedaço: a companhia precisa fechar acordos paralelos com esses credores.
Bradesco e BB concentram quase 60% do valor fora do plano
A lista inclui:
R$ 4,1 bilhões devidos ao Bradesco, contando o Digio
R$ 2,4 bilhões ao Banco do Brasil
R$ 165 milhões à Whirlpool e R$ 140 milhões à Atlas
R$ 1 bilhão em ICMS e R$ 49 milhões em PIS/Cofins
Os dois bancos respondem por quase 60% dos R$ 10,99 bilhões extraconcursais, conforme o Times Brasil, que cita levantamento do jornal O Globo. Bradesco, Banco do Brasil, BTG e Whirlpool também têm valores dentro da recuperação, segundo o InfoMoney.
Dentro do processo, R$ 16,4 bilhões dos R$ 17,3 bilhões são créditos sem garantia, ou 94,8%. Há ainda R$ 754,5 milhões trabalhistas e R$ 153,8 milhões de micro e pequenas empresas. O pedido reúne cerca de 28 mil credores, mais de 18 mil deles pessoas físicas em ações cíveis.
Perícia vai separar o que entra na renegociação
O pedido foi protocolado em 16 de agosto e ainda não foi aceito. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo concedeu proteção temporária contra execuções e determinou uma perícia para confirmar quais dívidas estão sujeitas à reestruturação.
A varejista busca R$ 1 bilhão para reforçar o caixa e recompor estoques. No segundo trimestre, teve prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos não recorrentes. O prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
FIDCs dobraram captação com retorno de CDI mais 30%
Os fundos de direitos creditórios que antecipam recebíveis da rede também estão na fila. O IBCB AF01, o maior deles, dobrou para R$ 1,9 bilhão em patrimônio, ante R$ 990 milhões em maio de 2025, aponta o InvestNews.
O fundo aparece na lista de credores com quase R$ 1,1 bilhão a receber, 58% de seu patrimônio. Como descontos acima de 90% são comuns em recuperações judiciais, o valor pode cair para menos de R$ 110 milhões. O grupo soma quase R$ 4 bilhões em dívidas com FIDCs.