O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo no domingo (16) para renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O processo inclui a varejista e nove subsidiárias, entre elas Cnova, Bartira, ASAP Log e Casas Bahia Tecnologia.
A ação reagiu mal. BHIA3 fechou esta segunda-feira (17) com queda de 33,33%, a R$ 0,44, e acumula perda de quase 80% no ano, segundo o InfoMoney. Com isso, o valor de mercado caiu para cerca de R$ 660 milhões, o equivalente a 26 vezes o passivo declarado na Justiça (Times Brasil).
Quirografários concentram 94,8% do passivo
A maior parte da dívida está com credores sem garantia. São R$ 16,4 bilhões em obrigações quirografárias, distribuídas por pouco mais de 19,4 mil credores. A lista inclui ainda R$ 754 milhões em débitos trabalhistas e R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas.
O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com aval do conselho de administração e do acionista controlador, segundo a Suno Notícias. A empresa diz que manterá lojas físicas, comércio eletrônico e demais canais de venda funcionando durante o processo.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre
O pedido veio no mesmo fim de semana em que a varejista divulgou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes o de um ano antes. O resultado negativo havia sido de R$ 555 milhões entre abril e junho de 2025, segundo o InfoMoney. Desse total, R$ 9,1 bilhões são efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto no caixa; a perda ajustada somou R$ 978 milhões, 76,2% maior em um ano.
O problema central é liquidez. Os estoques caíram de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho. O giro recuou de 95 para 75 dias, segundo o NeoFeed. A auditoria EY não emitiu opinião sobre as demonstrações financeiras, citando incerteza sobre a continuidade operacional.
R$ 1 bilhão em financiamento DIP
Para tocar a operação, a companhia negocia cerca de R$ 1 bilhão em financiamento DIP, modalidade que permite captar dinheiro novo durante a recuperação judicial. O valor equivale a 5,8% do passivo e serviria para reforçar o caixa e recompor mercadorias, não para pagar credores (Times Brasil).
Em 2024 a empresa já havia passado por uma recuperação extrajudicial, com R$ 4,1 bilhões reestruturados (Suno), número que o Times Brasil cita como R$ 4,8 bilhões. O CEO Renato Franklin afirmou que a evolução dos últimos anos "não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo".
A companhia fechou 298 das 1.033 lojas que tinha ao fim de junho. As demissões ligadas ao corte chegam a cerca de 1,9 mil funcionários, segundo o NeoFeed; o InfoMoney fala em aproximadamente 3 mil demissões em agosto. A XP colocou a ação em revisão e o Morgan Stanley manteve recomendação equivalente à venda para os papéis.