Casas Bahia chegou ao pedido de RJ com patrimônio negativo de R$ 8,27 bi
Debênture BHIAB1 ficou quase três meses sem preço e teve uma única venda após o pedido, a 11,86% do valor ao par.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, segundo dados enviados à CVM
Com ajuste do Credit Guide, a operação consumiu R$ 425 milhões em 12 meses, antes de capex e juros
Companhia captou R$ 13,9 bilhões em um ano para amortizar R$ 12,5 bilhões, com custo médio da dívida acima de 60%
O Grupo Casas Bahia (BHIA3) pediu recuperação judicial carregando patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, segundo levantamento da Credit Guide citado pelo InfoMoney.
Quem ainda tem ação ou debênture da varejista na carteira depende do que sobrar da reestruturação. Os documentos enviados à CVM mostram que o caixa comemorado nos releases não cobria o consumo da própria operação.
Balanço trazia prejuízo de R$ 13,2 bi em 12 meses
Entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo de 2026, os releases citaram alavancagem de 0,5 vez o Ebitda ajustado e caixa livre recorde. Os dados contábeis apontavam outro quadro:
patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho
dívida líquida sem ajuste de R$ 5,74 bilhões
prejuízo líquido de R$ 13,2 bilhões em 12 meses, contra R$ 2,65 bilhões na conta gerencial
O caixa operacional parecia alto, em R$ 16,7 bilhões, porque a demonstração de fluxo de caixa trata o aumento da conta de fornecedores como entrada. A quitação dessa dívida junto aos bancos, de R$ 16,1 bilhões, saiu na linha de financiamento.
Ao devolver a saída para a operação, o Credit Guide calculou que a Casas Bahia consumiu R$ 425 milhões em 12 meses, antes de capex e de qualquer juro. O caixa livre de R$ 3,95 bilhões dos releases vira consumo de R$ 622 milhões na mesma conta.
A companhia captou R$ 13,9 bilhões em um ano para amortizar R$ 12,5 bilhões. O custo médio da dívida passava de 60%, com CDCI, desconto de recebíveis, FIDCs e fornecedor convênio incluídos no cálculo.
BHIAB1 ficou sem preço por quase três meses
Até maio, a debênture BHIAB1, com vencimento em 2028, tinha ofertas de compra entre 22% e 35% do valor de face, segundo a Idex Analytics. A partir de 20 de maio, o papel ficou sem preço por quase três meses, quando as mesas deixaram de dar cotação firme.
Nos dias 17 e 18 de agosto, primeiros pregões após o pedido, a oferta de venda caiu para 30% do valor ao par e o lado comprador desapareceu. Em 19 de agosto, o ask recuou para 20% e surgiu um bid de 3%.
A única transação registrada saiu por R$ 1,3 milhão, a 11,86% do valor ao par, menos de 12 centavos por real de dívida original.
As séries BHIAA0 e BHIAC0 estavam em 30,83% do valor ao par em 14 de agosto e fecharam o dia 18 em 26,8% e 26,4%. Em abril, 21 gestoras tinham posição em ativos do grupo, conforme carteiras abertas na CVM.