Raízen negocia aporte de até R$ 5,5 bi com Cosan e Shell
Bonds da companhia são negociados a cerca de 30% do valor de face e o plano prevê separar a distribuição da produção de açúcar e etanol.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Shell pode aportar de R$ 1,5 bi a R$ 3,5 bi; Cosan avalia R$ 1 bi e Ometto estuda R$ 500 mi
Prejuízo líquido de R$ 15,645 bi no 3º tri do ano safra 2025/26, com baixa contábil de R$ 11,1 bi
Bonds no exterior negociados a cerca de 30% do valor de face; dívida líquida de R$ 55,322 bi (43,4%)
Cosan e Shell discutem um aporte de até R$ 5,5 bilhões na Raízen (RAIZ4) para reforçar o caixa e reduzir a dívida. A negociação ocorre no primeiro trimestre de 2026, depois de a companhia fechar um trimestre com prejuízo bilionário.
Para quem tem a ação ou os títulos da Raízen, o desenho em discussão mexe direto no valor do papel: cerca de 35% da dívida pode virar ações, o que corta o passivo e dilui os sócios atuais. Os bonds emitidos no exterior são negociados a aproximadamente 30% do valor de face, desconto de quase 70% que mostra o risco já precificado pelo mercado.
Prejuízo de R$ 15,6 bilhões no trimestre
A crise ficou pública com o balanço do terceiro trimestre do ano safra 2025/2026, que trouxe prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões e baixa contábil de R$ 11,1 bilhões. A direção atribuiu o resultado à deterioração do crédito e ao rebaixamento das notas corporativas por agências nacionais e internacionais, segundo o Times Brasil.
Dívida líquida de R$ 55,3 bi
A dívida líquida da companhia chegou a R$ 55,322 bilhões, equivalentes a 43,4% no acumulado anual. O aumento de capital em estudo tem esta divisão:
Shell: de R$ 1,5 bilhão a R$ 3,5 bilhões
Cosan: R$ 1 bilhão
Rubens Ometto, fundador da Cosan: mais R$ 500 milhões
BTG negocia fatia na distribuição
Fundos de private equity administrados pelo BTG Pactual (BPAC11) negociam a compra de participação por US$ 1,05 bilhão no braço de distribuição de combustíveis. O plano prevê separar a Raízen Energia, de açúcar e etanol, do segmento de distribuição, o que isolaria riscos e abriria espaço para novos investidores.
A recuperação judicial não está no plano, conforme a avaliação predominante relatada pela reportagem, e a empresa negocia prazos com credores em busca de um acordo privado. Em teleconferência recente, o CEO afirmou que a prioridade é reduzir o endividamento e preservar a competitividade no longo prazo, com uma solução que classificou como estruturante e definitiva.
O UBS BB Investment Bank estimou que a Raízen precisaria de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões em capital adicional para restabelecer a estabilidade plena. Os aportes em discussão cobrem, portanto, apenas parte do esforço de reequilíbrio.