Raízen pede recuperação extrajudicial de R$ 65,1 bi; GPA negocia R$ 4,5 bi
Controlada por Cosan e Shell, a Raízen diz ter adesão de mais de 47% dos credores ao plano, mas ainda depende de debenturistas e bondholders.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
GPA: R$ 4,5 bi em obrigações sem garantia fora do operacional corrente
Raízen: R$ 65,1 bi de dívidas financeiras quirografárias
Adesão de mais de 47% dos credores signatários ao plano da Raízen
A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias. Um dia antes, o GPA (PCAR3) anunciou acordo com os principais credores para renegociar R$ 4,5 bilhões em obrigações sem garantia.
Para quem tem RAIZ4 ou PCAR3 na carteira, o movimento aumenta a incerteza sobre o valor dos papéis e sobre uma possível diluição dos acionistas. A recuperação extrajudicial é uma renegociação com credores feita fora da Justiça, mas que só vale com adesão mínima do grupo. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney esperam oscilações abruptas para as ações no curto prazo.
Raízen depende do aval de debenturistas e bondholders
O plano da Raízen, controlada por Cosan (CSAN3) e Shell, reúne adesão de mais de 47% dos credores titulares das dívidas financeiras. Para o especialista em reestruturação Max Mustrangi, esse apoio não basta: a empresa ainda precisa do aval de debenturistas, bondholders e detentores de CRAs que já perderam dinheiro na companhia. "Pode criar um ambiente hostil", afirma.
Mustrangi diz que os credores do mercado financeiro respondem por apenas 50% da dívida da Raízen. No GPA, essa fatia chega a 80%. Os dois planos, em números:
Raízen: R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias
GPA: R$ 4,5 bilhões em obrigações sem garantia
Adesão declarada ao plano da Raízen: mais de 47% dos credores
Participação de credores financeiros: 50% na Raízen e 80% no GPA
Juros de 15% tornam o crédito mais seletivo
A CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, afirma que os dois pedidos, em setores diferentes, apontam para um ambiente de financiamento mais restritivo. Ela cita a Selic a 15%, a volatilidade do petróleo e as oscilações das commodities agrícolas.
Para Pedro Galdi, analista da AGF, quanto mais empresas recorrerem a esse tipo de proteção, mais seletivo ficará o mercado de crédito. O efeito tende a ser menos emissões e menos liquidez, com investidores cobrando taxas maiores.
O GPA acumula prejuízos nos últimos anos e trocou de controle em 2025: o Grupo Coelho Diniz assumiu como principal acionista, com 24,6%, e o francês Casino mantém 22,5%. O plano exclui obrigações com fornecedores, parceiros, clientes e trabalhistas.
Se não conseguir adesão suficiente, a Raízen pode ser forçada a converter o pedido em uma recuperação judicial.