Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,14 bilhões
Proposta inicial foi protocolada com adesão de 47% dos credores e prevê 180 dias de suspensão de pagamentos.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
KNCA11 tem 1% do patrimônio em CRA da Raízen; papel de R$ 57,9 mi está marcado em R$ 22 mi.
O prazo previsto da recuperação extrajudicial é de 90 dias.
Itaú, Banco do Brasil, Absolute e BTG Pactual estão entre detentores dos papéis, segundo dados de janeiro.
A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial de R$ 65,14 bilhões em créditos com instituições financeiras. Com mais R$ 33,49 bilhões devidos entre empresas do próprio grupo, o pacote chega a R$ 98,63 bilhões.
Para quem tem ação ou título da companhia, o pedido trava pagamentos e impõe perdas. A proposta inicial foi protocolada com a adesão de 47% dos credores. Se mais da metade aceitar o plano, a Justiça pode obrigar os demais a entrar nas mesmas condições.
CRAs e debêntures somam R$ 11,4 bilhões em aberto
São R$ 11,4 bilhões em CRAs e debêntures ainda ativos, segundo dados da plataforma Vitrify citados pelo Seu Dinheiro:
R$ 5,7 bilhões em CRAs e R$ 5,7 bilhões em debêntures;
60% a 90% das emissões de CRAs absorvidos por pessoas físicas;
R$ 600 milhões com vencimento em março de 2026, agora travado;
R$ 352 milhões em junho de 2027, o vencimento seguinte.
Durante o processo, a Raízen fica proibida de pagar dividendos e JCP aos acionistas. A empresa afirma ter cerca de R$ 20 bilhões em caixa, segundo o último balanço.
Kinea carrega CRA marcado a R$ 22 milhões
A Kinea, por meio do fundo KNCA11, tem 1% do patrimônio em um CRA da Raízen com vencimento em 2032. Pagou R$ 57,9 milhões pelo papel; hoje o valor marcado é de R$ 22 milhões. Itaú, Banco do Brasil, Absolute e BTG Pactual apareciam entre gestoras e bancos com papéis da Raízen em carteira em janeiro, informou o InvestNews.
Gestores ouvidos pelo InvestNews avaliam que a exposição dos fundos é limitada e o caixa elevado deve diluir o efeito, em quadro diferente do de Americanas e Light, que tinham maior concentração nas carteiras.
Papéis com desconto acima de 50% no secundário
Os títulos da Raízen são negociados com desconto acima de 50% no mercado secundário, segundo o Seu Dinheiro. Vender agora significa realizar o prejuízo imediato.
A advogada Bruna Florian, do EFCAN, diz que o pedido não separa debêntures, CRAs e bonds: todos entram como credores quirografários. O plano inicial prevê três saídas: troca por títulos mais longos, conversão da dívida em ações ou venda de ativos. O BNY Mellon (BONY34) representa os titulares de bonds.
Os credores terão 30 dias para aderir à proposta e podem impugnar o plano nesse prazo. A Raízen se comprometeu a fazer novas rodadas de negociação nos próximos dias para apresentar o Plano Atualizado, que será votado pelos credores e homologado pelo juiz.