A Raízen (RAIZ4) pediu recuperação extrajudicial na noite de terça-feira (10) para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A companhia confirmou o pedido nesta quarta-feira (11), protocolado na Comarca da Capital de São Paulo.
É a maior recuperação extrajudicial já registrada no país. Para o acionista, o plano abre caminho para trocar parte da dívida por ações, o que dilui quem já está na base. A Cosan (CSAN3), controladora ao lado da Shell, saiu das negociações, segundo o CEO Marcelo Martins, que falou em teleconferência de resultados.
Credores com 47% da dívida já aderiram ao plano
Os credores signatários do pedido representam mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias, percentual suficiente para o ajuizamento, segundo a Suno Notícias. A empresa tem 90 dias para obter a maioria exigida em lei, de 50% mais um, e vincular todos os créditos ao plano. No mesmo prazo vale o standstill, a suspensão do pagamento de juros.
A reestruturação deve incluir alongamento de prazos e descontos. A conversão de 40% da dívida em ações tem como meta levar a alavancagem para menos de 3 vezes o Ebitda. A dívida líquida soma R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em um ano, segundo o InvestNews.
Shell e Ometto discutem aporte de R$ 4 bilhões
A capitalização em análise prevê R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto via Aguassanta. O NeoFeed apurou que credores calculam ser necessários até R$ 25 bilhões. A Shell recusou uma proposta da Cosan de aporte acima de R$ 10 bilhões, que dividiria a Raízen em duas empresas.
A Raízen estima desembolsar cerca de R$ 13 bilhões nos próximos 24 meses só para amortizar dívida bancária, segundo o NeoFeed. Do total devido, 73% está em dólar ou euro, conforme o Seu Dinheiro. As agências de risco rebaixaram a nota da empresa, que registrou impairment de R$ 11 bilhões.
O prejuízo chegou a R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026, diz o Seu Dinheiro. A crise veio depois de anos de expansão com crédito barato.
O Antagonista lembra que a taxa básica saiu de 2% para 13,75% em menos de um ano e meio. Ela está em 15% desde o fim do ano passado.
A partir do processamento do pedido pela Justiça paulista corre o prazo de 90 dias para a homologação do plano.