Bancos vão adiantar 7 anos de repasses ao FGC para cobrir rombo do Master
Conselho do fundo aprovou plano com alíquota extraordinária de 0,06% ao ano e antecipação de contribuições até 2028.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 4 veículos. Como fazemos
Em resumo
Ressarcimento previsto de R$ 46,9 bi após liquidação de Master, Master de Investimentos, Letsbank e Will Bank.
Plano pode exigir mais de R$ 50 bi, incluindo empréstimo ao Master e preparação para novos desdobramentos.
Proposta inclui antecipação de 60 meses de contribuições em 2026 e contribuição extraordinária de 0,06% ao ano.
O conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para cobrir o rombo de R$ 55 bilhões deixado pela liquidação do Banco Master. A informação foi revelada pelo Valor Econômico e confirmada pelo Broadcast.
O custo recai sobre os 250 bancos associados ao fundo, e pode chegar ao bolso de quem toma crédito. Na semana passada, o CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou que "quase metade das reservas do fundo foi consumida" e defendeu a recapitalização do FGC. A conta do Itaú é estimada em cerca de R$ 7 bilhões, segundo o Seu Dinheiro.
Bancos adiantam 84 meses de contribuições
O plano antecipa o equivalente a sete anos de contribuições dos bancos: 60 meses em três parcelas mensais ao longo de 2026, 12 meses em 2027 e outros 12 em 2028. O estatuto do FGC limita o adiantamento a 60 meses, o que levou ao fatiamento, conforme o Times Brasil.
Os aportes deste ano somam cerca de R$ 30 bilhões, e os de 2027 e 2028 ficam em aproximadamente R$ 12 bilhões. Uma alíquota extraordinária de 0,06% ao ano, criada sem prazo para acabar, deve render cerca de R$ 3 bilhões anuais.
Pelas regras atuais, cada associada repassa 0,01% dos depósitos elegíveis por mês. O aumento em discussão vai de 30% a 60% e duraria ao menos 60 meses, segundo o InfoMoney.
Compulsório depende de aval do BC
Uma ala do setor financeiro defende usar o compulsório de depósitos à vista para reforçar o caixa do FGC, o que pouparia o dinheiro dos bancos. A manobra depende de autorização do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, que ainda não decidiram. Bancos grandes defendem a medida; os médios e pequenos, com menos depósitos à vista, sentirão mais o peso da alíquota extra, segundo o Times Brasil.
Fundo já pagou R$ 36 bilhões
Até a última sexta-feira, o FGC havia pagado R$ 36 bilhões dos pouco mais de R$ 40 bilhões devidos aos credores do Master. O reembolso aos investidores do Will Bank ainda não começou e deve consumir R$ 6,3 bilhões em garantias. A meta é ter caixa líquido compatível com o risco do sistema até o fim do primeiro trimestre.
As fontes divergem sobre o tamanho do buraco: InfoMoney e Seu Dinheiro falavam em cerca de R$ 50 bilhões na véspera da decisão, e as apurações do Valor e do Broadcast apontam R$ 55 bilhões. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
A reforma das regras do fundo deve entrar na pauta depois do primeiro trimestre, quando a recomposição estiver encaminhada, segundo o Broadcast.