Inadimplência acima de 90 dias sobe a 8,1% e pressiona provisões de bancos
Comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou 29,0% em agosto, também o maior patamar já registrado pelo Banco Central.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Endividamento das famílias: 50,1% da renda em agosto, recorde
Comprometimento da renda com dívidas: 29,0%, maior da história
Inadimplência do crédito livre: 6,6% em setembro; pessoas físicas: 8,1%
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 50,1% da renda em agosto, o maior nível da história, segundo o Banco Central. O comprometimento da renda com o serviço da dívida subiu para 29,0%, também recorde.
Para quem tem ação de banco na carteira, os números explicam a pressão sobre provisões. A taxa média cobrada das pessoas físicas no crédito livre alcançou 62,4% ao ano em setembro. A inadimplência acima de 90 dias nas pessoas físicas chegou a 8,1% em setembro, contra 7,1% em dezembro.
Inadimplência do crédito livre para em 6,6%
A inadimplência do crédito livre ficou em 6,6% em setembro, mesmo nível recorde de agosto e 1,0 ponto acima de um ano antes. Entre empresas, a taxa foi de 4,2%. Sem o crédito imobiliário, o endividamento das famílias seria de 31,0% da renda, e o comprometimento, de 26,7%.
O estoque de crédito no país somou R$ 7,4 trilhões em setembro, alta de 0,4% no mês. Em 12 meses, a expansão desacelerou para 8,6%, ante 9,4% até agosto.
Goldman vê bancos públicos segurando o crédito
Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, escreveu em relatório que bancos públicos e linhas patrocinadas pelo governo federal devem sustentar o crédito nos próximos meses, com juros altos, economia mais lenta e inadimplência em alta. O crédito dos bancos públicos cresceu 3,1% em 12 meses até setembro, descontada a inflação, abaixo dos 4,4% das instituições privadas. A fatia estatal no total recuou 0,2 ponto, para 41,4%.
As concessões totais caíram 1,3% em setembro ante agosto, na série do BC com ajuste sazonal. O Goldman calcula queda de 2,2% em termos reais, puxada por empresas e crédito direcionado às famílias.
Citi projeta R$ 292 milhões no Mercantil
O Citigroup espera lucro recorrente de R$ 292 milhões no Mercantil (BMEB4) no terceiro trimestre, alta de 15% em um ano, com custo de risco perto de 6% após o Desenrola. O ABC Brasil (ABCB4) deve manter provisões estáveis, segundo o analista Gustavo Schroden.
O Banco Central decide a Selic na próxima semana, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto que levaram a taxa a 13,75% ao ano. A autoridade afirmou que prepara medidas para conter a concessão predatória de crédito.