Inadimplência na alta renda sobe 38,8% em um ano, aponta BC
Juros do rotativo do cartão chegam a 451,7% ao ano, e 81,6% das famílias seguem endividadas em outubro, segundo a CNC.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Taxa de inadimplência sobe 38,8% entre renda de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% acima de 20 salários mínimos
Juros do rotativo do cartão atingem 451,7% ao ano; parcelamento da fatura fica em 193% ao ano
IPCA-15 sobe 0,32% em outubro e 4,62% em 12 meses, acima da meta de 4,5%; Selic está em 13,75%
A inadimplência cresceu 38,8% entre 10 e 20 salários mínimos em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Os dados do Sistema de Informações de Créditos do Banco Central mostram avanço de 35,8% entre quem ganha acima de 20 salários mínimos.
As duas faixas ainda têm as menores taxas de calote do país, mas registraram as maiores altas percentuais no período. O crédito às famílias, porém, não parou: o estoque de operações para pessoas físicas subiu 9,9% nos 12 meses até setembro.
Rotativo do cartão cobra 451,7% ao ano
O rotativo, modalidade acionada quando o cliente não paga a fatura inteira, cobrava juros de 451,7% ao ano em setembro, ou 15,29% ao mês, segundo dados preliminares do BC. No parcelamento da fatura, a taxa era de 193% ao ano.
As concessões no rotativo somaram R$ 37,3 bilhões em setembro, 12,6% mais que um ano antes. No parcelamento, chegaram a R$ 17,6 bilhões, alta de 8,4% na mesma comparação.
"O cartão de crédito é uma faca de dois gumes", afirma Fabio Bentes, economista-chefe da CNC. Para ele, a maior parte da população usa o cartão para esticar o orçamento no curto prazo, e "o resultado disso é um juro exorbitante".
81,6% das famílias seguem com dívidas em outubro
A CNC divulgou nesta quinta-feira (5) a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Em outubro, 81,6% das famílias declararam ter dívidas, ante 81,7% em setembro. O percentual está 2,1 pontos acima de outubro de 2025, quando era 79,5%.
As dívidas em atraso alcançaram 29,3% das famílias, 0,3 ponto abaixo de setembro. Na comparação anual, a redução foi de 1,2 ponto. Disseram não ter condições de pagar o que devem 12,2%, 1 ponto a menos que um ano antes.
O endividamento subiu de 77,9% para 79,3% entre as famílias que ganham de 5 a 10 salários mínimos. Ficou estável em 83,3% na faixa de 3 a 5 salários.
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro. Em 12 meses, a alta é de 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta. A Selic em 13,75% ao ano começou 2026 em 15%.