O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), por decisão unânime, e interrompeu uma sequência de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto.
Mercado chegou dividido à decisão
A pausa veio acima do que a mediana do mercado projetava. Pesquisa Projeções Broadcast com 75 casas mostrou 39 apostando em 13,50% e 36 na manutenção, segundo o Suno Notícias. Foi a primeira vez desde junho de 2025 que a taxa ficou acima da mediana das estimativas.
O Copom citou no comunicado o ambiente externo mais adverso, com os conflitos no Oriente Médio pressionando o petróleo, e a aceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes. O último Focus elevou a projeção de IPCA para 2028 de 3,75% para 4% e a de Selic para 2027 de 11,75% para 12,50%.
IPCA-15 acumula 4,62% em 12 meses
O IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, mas o acumulado em 12 meses avançou de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, o que coloca o limite em 4,5%.
DI para 2028 cede a 14,325%
No dia seguinte à decisão, os juros futuros recuaram. O DI para janeiro de 2028 cedeu de 14,435% para 14,325%. O DI para 2029 recuou de 14,835% para 14,725%, conforme o Valor Econômico, que atribuiu parte do movimento à reunião de Lula com a equipe econômica e com ex-ministros da Fazenda.
O dólar comercial fechou a R$ 5,4876, alta de 0,67%. O Ibovespa caiu 0,82%, a 166.191,45 pontos, pressionado pelas perdas em Wall Street. O ministro Dario Durigan disse que nenhuma medida fiscal específica foi discutida e que o assunto volta após a viagem de Lula à Turquia, onde ocorre a COP31.
Fernanda Guardado, economista-chefe do BNP Paribas para a América Latina, passou a ver a Selic parada em 13,75% pelo menos até abril e vai revisar para cima a projeção de inflação, hoje em 4,6%. Luiz Felipe Vital, da Warren Rena, não prevê cortes neste ano e vê retomada em 2027 só com ajuste fiscal. Para Roberto Padovani, do BV, a Selic termina 2027 em 12,50%.
O Copom volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro.