Sem apoio de um terço dos credores, Braskem avalia recuperação judicial
Sob tutela cautelar, a petroquímica deixou de desembolsar R$ 2,7 bilhões em obrigações de julho, com dívida bruta perto de R$ 50 bilhões.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Sem apoio de ao menos 1/3 dos créditos a reestruturar, cresce a chance de recuperação judicial
Tutela cautelar desde o fim de junho suspende cobranças por 60 dias
Dívida bruta próxima de R$ 50 bilhões; R$ 2,7 bi em vencimentos de julho não pagos
A Braskem não obteve apoio de credores suficientes na rodada de negociação de terça-feira (28) e se aproxima de um pedido de recuperação judicial.
A companhia precisa do aval de ao menos um terço dos detentores dos créditos que pretende reestruturar, sem apoio de um terço dos credores o caminho judicial ganha força entre os principais acionistas. A empresa está sob tutela cautelar desde o fim de junho, medida que suspende cobranças e execuções por 60 dias.
Credores do mercado secundário travam acordo
O impasse está nos investidores que compraram títulos da Braskem no mercado secundário e ampliaram posição. Esse grupo defende condições diferentes das apresentadas pela companhia para aderir ao plano. Segundo o Valor Econômico, a emissão original, grandes bancos financiadores e possivelmente debenturistas seguem apoiando a proposta.
Os credores sugerem novos empréstimos à petroquímica, com garantia sobre o conjunto de seus ativos. Também propõem que a IG4, controladora ao lado da Petrobras (PETR3, PETR4), e a própria Petrobras façam aportes de capital para abater parte do endividamento.
Em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários, a Braskem confirmou ter recebido propostas indicativas e não vinculantes. As sugestões incluem capitalização e oferta de ativos em garantia, mas seguem em análise, sem formato final definido.
Dívida de R$ 50 bi limita alternativas
A companhia tem dívida bruta próxima de R$ 50 bilhões, nível que, na avaliação interna, reduz a viabilidade de novas operações de crédito. Com a tutela cautelar, deixou de desembolsar cerca de R$ 2,7 bilhões em obrigações de julho, sobretudo cupons de títulos emitidos no exterior.
Fontes ouvidas pelo jornal apontam que a Petrobras não demonstra disposição para ampliar sua fatia na Braskem, pelo risco de incorporar os passivos da petroquímica ao seu balanço.
Plano com três anos de carência foi rejeitado
Antes da nova rodada, a Braskem apresentou aos credores um plano de recuperação extrajudicial com três anos de carência e cinco de extensão no prazo de pagamento, sem desconto sobre os valores devidos. A proposta foi rejeitada.
Com o prazo da tutela cautelar perto do fim e sem acordo entre as partes, a recuperação judicial passa a ser considerada alternativa para conduzir a reestruturação financeira e preservar as operações.