Em resumo
- Dívida da Braskem estimada em cerca de R$ 50 bilhões
- Prazo para solução extrajudicial termina em 24 de agosto
- Adesão mínima de um terço da dívida é exigida para reestruturação extrajudicial
A Braskem (BRKM5) negocia um pedido de recuperação extrajudicial que pode ser protocolado ainda em agosto, segundo duas pessoas familiarizadas às conversas ouvidas pela Reuters. A empresa corre contra o prazo de 24 de agosto, quando expira a proteção cautelar obtida em junho.
A medida alcançaria dívida de mais de US$ 10 bilhões nas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. O Times Brasil apurou que o passivo total da petroquímica soma cerca de R$ 50 bilhões. Para quem tem ação ou título da companhia, o desfecho define quanto sobra para o acionista e para o credor.
Credores cobram aporte e Petrobras resiste
Detentores de bônus pressionam a Petrobras (PETR4), que divide o controle com o IG4 Capital, a assumir parte maior do esforço financeiro. Discutem aporte de capital, capital de giro ou dívida subordinada. A estatal resiste a ampliar a exposição, pelo risco de incorporar dívida da petroquímica ao próprio balanço.
Os credores rejeitaram a oferta anterior da Braskem, de pagar o principal com carência de cinco anos e os juros com dois anos e meio, segundo a Reuters. Uma nova contraproposta de detentores internacionais de títulos foi considerada pela companhia mais favorável que versões anteriores, mas ainda precisa de ajustes, conforme o Times Brasil.
A reestruturação extrajudicial exige adesão de credores com ao menos um terço da dívida. Se as conversas avançarem, o pedido deve incluir suspensão de cobranças por 90 dias, janela para negociar um plano com os credores.
Moody's corta nota e México tem plano próprio
A Moody's rebaixou a Braskem para faixa especulativa e tratou a suspensão judicial das cobranças como evento de default, informou o Times Brasil. Em paralelo, a empresa estuda reestruturar cerca de US$ 2 bilhões da subsidiária mexicana, o que pode incluir um Chapter 11 alinhado ao processo brasileiro, segundo a Reuters.
A proteção cautelar obtida em junho suspendeu cobranças por 60 dias. No período, cerca de R$ 2,7 bilhões que venceriam em julho deixaram de ser desembolsados, a maior parte em títulos emitidos no exterior.
A Braskem não quis comentar. A Petrobras não respondeu aos questionamentos do Times Brasil até o fechamento da matéria. O prazo para o acordo termina em 24 de agosto: sem adesão suficiente dos credores até lá, a recuperação judicial volta a ser a alternativa.
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