Braskem pede recuperação extrajudicial de R$ 56,5 bi com 39,6% de adesão
Petroquímica tem 90 dias para chegar a 50% mais um dos credores e homologar o plano.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 5 veículos. Como fazemos
Em resumo
Dívida incluída no pedido: US$ 10,9 bilhões, cerca de R$ 56,1 bilhões
Prazo de 90 dias para concluir o plano com os credores
Proteção emergencial obtida em junho tinha prazo de 60 dias, encerrado nesta segunda
A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) pedido de recuperação extrajudicial de R$ 56,5 bilhões em dívidas financeiras. O processo foi distribuído à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista e abrange cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações sem garantia real.
A petroquímica entrou com apoio de 39,6% dos credores abrangidos, suficiente para abrir o processo, mas abaixo da maioria de 50% mais um exigida em 90 dias. Sem esse patamar, o plano perde efeito e os credores recuperam integralmente o direito de cobrar as dívidas, segundo o NeoFeed.
Nem o lucro de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre resolveu a fase mais aguda da crise, aponta o InfoMoney. Desde o pedido, as ações da Braskem (BRKM5) caem cerca de 14%, e a desvalorização no ano chega a 45%, conforme o NeoFeed.
Adesão vai de 66,9% na série 2081 a 13,2% na 2041
Os documentos do processo listam 1.179 créditos financeiros, e o apoio varia bastante entre as séries de bonds:
Bonds 2081: 66,9% de adesão
Bonds 2028: 60,4%
Bonds 2030, a maior série, com R$ 7,9 bilhões: 48%
Bonds 2041: 13,2%, com cláusula que impede acordo separado sem aval dos signatários
Fora dos bonds, Barclays (B1CS34), Santander (BCSA34) e Citibank também assinaram o plano, segundo o NeoFeed. O valor da recuperação não inclui R$ 130,6 bilhões que as empresas do grupo devem umas às outras.
Petrobras negocia limite de R$ 2,35 bi para comprar matéria-prima
A Braskem discute com a Petrobras (PETR4) a elevação para limite de crédito de R$ 2,35 bilhões na compra de matérias-primas, disponível até 31 de dezembro de 2026. Não se trata de aporte direto: a estatal, que também é acionista, ampliaria o prazo de pagamento para até 30 dias. Como garantia, a petroquímica ofereceria ao menos R$ 1 bilhão por mês em recebíveis de clientes e um crédito judicial de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ligado à Cide Combustíveis.
O plano prevê ainda alongamento de vencimentos, capitalização de juros em modalidade PIK e possível conversão de parte da dívida em ações. Durante o período, a companhia fica impedida de distribuir dividendos ou JCP e de recomprar ações sem autorização dos credores signatários, segundo o InfoMoney.
Proposta comercial detalhada sai até 31 de agosto
Até 31 de agosto, a Braskem precisa entregar aos credores signatários um plano de negócios atualizado e uma proposta comercial detalhada. A reunião presencial em 9 de setembro reúne executivos, credores, Petrobras e o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, em São Paulo ou Nova York, com prazo até 9 de outubro para fechar um acordo de princípios sobre as condições comerciais.