A Braskem protocolou nesta segunda-feira, 24, pedido de recuperação extrajudicial para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas. O conselho de administração aprovou o ajuizamento, distribuído à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A ação (BRKM5) cai 34,6% no ano, e a Suno aponta perda de mais de 42% em 12 meses. O pedido saiu no dia em que vencia a proteção de 60 dias obtida em junho por medida cautelar. Com o protocolo, a petroquímica passa a ter 90 dias de proteção contra cobranças judiciais.
Adesão de 39,6% dos credores sustenta o pedido
O protocolo exigia adesão de 33% dos créditos. A companhia reuniu adesão de 39,6% dos credores, número informado pelo Seu Dinheiro e por O Antagonista. Para o plano valer sobre toda a dívida, precisa de maioria simples, acima de 50%.
Cerca de US$ 7 bilhões estão com bondholders, o grupo que resistiu à proposta inicial, segundo a InfoMoney. A empresa afirma que a recuperação tem "escopo limitado, estritamente financeiro" e não altera obrigações com fornecedores e clientes.
Petrobras eleva limite de crédito a R$ 2,35 bilhões
A Braskem ampliou para R$ 2,35 bilhões o limite de crédito comercial com a Petrobras (PETR4) para comprar matérias-primas, com pagamento em até 30 dias. Deu em garantia recebíveis de clientes, conta vinculada e créditos de ação sobre a CIDE Combustíveis, avaliados em R$ 2,7 bilhões.
O plano tem apoio dos principais acionistas, entre eles a Petrobras e o fundo Shine I. A Suno lembra que a petroquímica é controlada pela IG4 e pela Petrobras.
Fluxo de caixa projetado negativo em US$ 821 milhões
O NeoFeed aponta projeção de fluxo de caixa negativo de US$ 821 milhões até dezembro de 2026. Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia direto com os credores e depois leva o acordo para homologação judicial, como recorda o Times Brasil.
A Braskem tem os 90 dias para ampliar o apoio ao plano e alcançar a maioria simples dos créditos incluídos na reestruturação.