Em resumo
- Reestruturação é a segunda maior recuperação extrajudicial da história do Brasil
- Credores apoiam ampliar vencimentos em 5 anos, com carência de 2,5 anos, e resistem ao plano
- Títulos em dólar com vencimento em 2030 rendem cerca de 22%
A Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6) abriu na segunda-feira (24) uma recuperação extrajudicial para renegociar US$ 11 bilhões em dívidas. A petroquímica reuniu o apoio de cerca de 39% dos credores para manter as conversas por mais 90 dias.
É a segunda maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. O desfecho define quanto de dinheiro novo pode sair do bolso da Petrobras (PETR3, PETR4), dona de cerca de 47% do capital votante, e da IG4, o outro controlador.
A cobrança dos credores estava suspensa desde junho por uma proteção de emergência de 60 dias, que terminou nesta semana.
Petrobras amplia limite de crédito em R$ 2,35 bi
A Braskem anunciou na segunda-feira um aumento de R$ 2,35 bilhões no limite de crédito com a Petrobras para pagar matérias-primas fornecidas pela estatal. O valor equivale a US$ 456 milhões e reduz a busca por outros recursos, o que ajuda a baixar a dívida.
A petroleira resiste a assumir uma injeção direta de capital nos termos exigidos pelos credores. Um dos motivos é que o aporte poderia obrigá-la a consolidar a Braskem no seu balanço, ou seja, trazer a dívida da controlada para as próprias contas, e até exigir aval do Congresso em ano eleitoral.
Aporte de capital segue sem valor definido
O plano prevê uma injeção de capital após um período de alívio, ainda sem duração fechada, que pode sair por oferta pública de ações sem direito a voto. Valor, estrutura e data continuam em aberto, e a IG4 pode trazer novos investidores.
Os credores querem garantia de que qualquer liquidez dos acionistas ficará subordinada aos seus créditos. Os acionistas argumentam que o crédito comercial de fornecedores é essencial para a operação e não deveria receber o mesmo tratamento de um empréstimo comum.
Credores resistem a esticar vencimentos em cinco anos
O plano afirma que não haverá desconto na dívida durante o período de alívio, mas os credores rejeitam a proposta de esticar os vencimentos em cinco anos, com carência de dois anos e meio.
A estatal está "confiante no processo" e concentrada nos aspectos operacionais do plano, disse William França, diretor de processos industriais da Petrobras e membro do conselho da Braskem. O roteiro repete o da Raízen (RAIZ4), que usou a mesma janela de 90 dias para fechar um acordo com credores.
Os termos finais serão discutidos nos próximos 90 dias. A Braskem precisa somar mais da metade dos créditos afetados nesse prazo para obter aprovação judicial; sem isso, o caminho é a recuperação judicial.
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