O Santander da Espanha propôs nesta quinta-feira (30) trocar ações próprias pelos cerca de 10% do Santander Brasil (SANB11) que ainda não controla. A oferta é voluntária e chega a € 1,9 bilhão, segundo o Times Brasil.
Quem aderir recebe um prêmio de 15% sobre o fechamento anterior, quando as units valiam R$ 25,25. Na sexta-feira (31), as units saltaram 13,35%, a R$ 28,62, e lideraram as altas do Ibovespa, relata o InfoMoney. O índice fechou em alta de 0,45%, aos 177.960 pontos, segundo o Seu Dinheiro.
Troca de 0,4056 BDR por unit, sem piso de adesão
Cada unit ou ADS do Santander Brasil será trocada por 0,4056 BDR ou ADS do banco espanhol, e cada ação ordinária ou preferencial (SANB3, SANB4) vale 0,2028. Não há percentual mínimo de adesão: quem recusar continua acionista da subsidiária.
O grupo controla 89,8% do capital, e o free float é de 10,2%, conforme o InvestNews. A operação brasileira seguirá listada na B3, mas os ADSs na Nyse podem ser deslistados dependendo da adesão nos Estados Unidos.
Prêmio encolhe para 5% após balanço fraco
A oferta veio um dia depois de o Santander Brasil divulgar o resultado mais fraco desde o fim de 2023, pressionado por provisões maiores. As units caíram quase 8% no dia do balanço e 1,5% na quinta-feira.
Para o Citi, o prêmio de 15% equivale a cerca de 5% se comparado à cotação anterior ao balanço, o que deixa "pouca margem de manobra para os acionistas minoritários". O banco calcula múltiplo de 1,1 vez para o Santander Brasil, contra 1,55 vez da matriz.
O BTG Pactual avalia que a controladora usa uma moeda valorizada para comprar uma subsidiária com múltiplos menores. As units acumulam queda de 25,8% no ano, segundo o NeoFeed.
156 milhões de ações novas e aval de Madri
Se todos os minoritários aderirem, o Santander emitirá cerca de 156 milhões de ações, o equivalente a 1,1% do capital atual. O grupo projeta ganho de 0,5% no lucro por ação a partir de 2028 e de 0,6% no valor patrimonial tangível por ação.
A conclusão depende do registro na CVM, do aval da B3 e da SEC e da assembleia de acionistas na Espanha que aprova o aumento de capital.