Em resumo
- Ações SANB11 caem cerca de 21% no ano; controladora sobe aproximadamente 24%.
- Inadimplência em 90 dias subiu de 2,8% para 3,3% até março.
- ROE tangível de 14,8% no 1º trimestre, ante meta de 20%.
As ações do Santander Brasil (SANB11) caíram cerca de 21% desde o início do ano, e as da matriz espanhola subiram 24%. A distância entre os dois papéis atingiu desconto recorde desde o IPO de 2009.
O que o investidor paga pelas ações da unidade brasileira em relação ao valor contábil está mais baixo do que na matriz, e a brecha cresce desde o começo de 2025, quando surgiram os rumores mais recentes de aquisição. Para quem tem o papel, o desconto sustenta a discussão sobre uma oferta do controlador para fechar o capital.
“Não descarto uma oferta pública de aquisição”, disse Thiago Batista, analista do UBS BB. Eduardo Nishio, da Genial, escreveu em nota de junho de 2025 que a operação seria financeiramente viável com apenas 10% das ações em livre circulação.
O Santander já tentou fechar o capital da filial em 2014, por meio de troca de ações com a controladora. A proposta fracassou por falta de demanda dos minoritários, que ficaram com cerca de 10% do capital, hoje avaliado em R$ 10,6 bilhões.
Matriz integra TSB e Webster antes de olhar para o Brasil
A controladora incorporou aquisições nos últimos anos:
- TSB, banco britânico comprado por 2,65 bilhões de libras
- Webster Financial, dos EUA, por US$ 12,2 bilhões, anunciada em fevereiro
- Getnet, com capital fechado na B3 em 2022
Nuria Alvarez, da Renta 4, disse que o momento não é o ideal porque o banco está focado na integração de TSB e Webster, mas não descartou um acordo futuro. Mario Leão, então CEO, afirmou em fevereiro que o banco não pensava em oferta.
Inadimplência sobe a 3,3% e retorno fica em 14,8%
A inadimplência acima de 90 dias saltou de 2,8% para 3,3% em um ano, até março. O retorno sobre patrimônio líquido tangível ficou em 14,8% no primeiro trimestre, contra 15,2% do grupo. Na unidade espanhola, o mesmo indicador chegou a 26%, e a meta do Santander para o Brasil é de 20%.
O banco tem mais exposição ao crédito ao consumidor que os concorrentes locais, o que torna o resultado mais sensível aos juros e à inflação. Batista, do UBS BB, diz que a inadimplência da unidade é pior que a dos rivais e que a redução na carteira de crédito não melhorou os números como esperado.
Corte de 6.200 funcionários e troca de CEO
Nos 12 meses até março, o Santander Brasil demitiu cerca de 6.200 pessoas, 11% da equipe no país. Metade de todos os fechamentos de agências do grupo no mundo ocorreu no Brasil.
O diretor financeiro Gustavo Alejo deixou o banco para assumir o mesmo cargo na XP (XPBR31). Christian Egan, chefe de banco de investimento, renunciou. Leão saiu, e Gilson Finkelsztain, ex-CEO da B3, assume o comando.
Analistas do Oddo BHF escreveram em relatório de 24 de junho que o Brasil segue prioridade estratégica e pode trazer resultado acima do esperado, mas mantêm dúvidas sobre a volta do retorno a 20%.
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