Petrobras precisa subir diesel em R$ 1,51 para zerar defasagem de 47%
Estatal soma 304 dias sem reajuste no diesel; Goldman calcula defasagem de 30%, a maior desde 2022, e vê produção compensando refino.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Defasagem do diesel da Petrobras chega a cerca de 30%, a maior desde 2022
Brent subiu 16% e diesel internacional avançou 33% desde a última sexta-feira
Diesel importado responde por cerca de 25% da oferta no Brasil
O diesel da Petrobras (PETR4) fechou a quarta-feira com defasagem de 47% ante o mercado internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O porcentual supera o recorde de 42% registrado na véspera.
Para equiparar o preço ao mercado externo, a Abicom calcula que a estatal precisaria subir o diesel em R$ 1,51 por litro e a gasolina em R$ 0,47. A Petrobras não altera o diesel desde 6 de maio do ano passado, quando cortou o valor em 4,7%, para R$ 3,27 por litro, e acumula .
304 dias sem reajuste no diesel
Polos de importação chegam a 49% de defasagem
Em Paulínia (SP) e Araucária (PR), polos de importação, o preço da estatal equivale a quase a metade do praticado no exterior, com 49% de defasagem. As refinarias privadas já se mexeram: a de Mataripe, na Bahia, elevou o diesel em R$ 0,28 por litro na quarta, e a de Manaus (Ream), em R$ 0,57.
Na gasolina, a defasagem está em 19%, ou 16% quando se consideram as refinarias privadas. A estatal não mexe no preço do combustível há 38 dias, quando promoveu uma queda de R$ 0,14 por litro.
Goldman vê maior defasagem desde 2022
O Goldman Sachs chegou a um número menor: cálculo de defasagem de 30%, a maior desde 2022, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira. O banco aponta que o Brent subiu 16% e o diesel internacional, 33% desde a sexta-feira anterior, com a escalada do conflito no Oriente Médio. O diesel importado responde por cerca de 25% da oferta do combustível no Brasil.
“Está na hora sim, porque com essa defasagem tão elevada, isso aumenta substancialmente o risco de novas operações de importação”, afirmou à Reuters Sérgio Araujo, presidente da Abicom. Ele diz não haver dificuldade de encontrar o produto no exterior, com cargas vindas da Rússia, da Índia e dos Estados Unidos.
Produção deve compensar perda no refino
O Goldman avalia que os ganhos de preço no segmento de produção devem mais do que compensar eventual perda de Ebitda no refino caso a estatal não repasse a alta. A Petrobras exportou no ano passado volume equivalente a 32% da sua produção de petróleo.
A companhia informou que tem como premissa não repassar a volatilidade externa ao consumidor brasileiro. Segundo a Reuters, a estatal prevê uma semana de observação antes de decidir sobre um reajuste.