Petrobras segura diesel e mantém defasagem de 65% ante o exterior
Importações de diesel caíram cerca de 60% no início de março, e a ANP vê risco excepcional de desabastecimento.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 3 veículos. Como fazemos
Em resumo
Diesel da Petrobras está cerca de 65% abaixo da paridade internacional; gasolina, cerca de 45%
Importações de diesel caíram cerca de 60% no início de março
ANP alerta para risco 'excepcional' no abastecimento; estoques podem acabar em cerca de 3 meses
A Petrobras (PETR3, PETR4) não trabalha com um novo aumento do diesel no curtíssimo prazo, segundo três fontes da estatal ouvidas pela Reuters. A empresa quer manter a política de não repassar a volatilidade ao consumidor mesmo com a guerra no Irã no radar.
Para o acionista, a contenção do repasse limita o ganho extra com o petróleo perto de US$ 100 e adia a receita que viria de um reajuste. O diesel vendido no atacado da Petrobras está 65% abaixo da paridade internacional, e a gasolina, 45%, segundo a Abicom, associação de importadores citada pelo InvestNews.
Reajuste de 11,6% em 14 de março não fechou a conta
O último reajuste saiu em 14 de março, com alta de 11,6% no diesel. O litro subiu R$ 0,38, depois de o governo anunciar isenção de PIS e Cofins e um programa de subvenção ao diesel.
Importadores afirmam que o movimento não bastou. A defasagem havia superado 80% antes de o Brent cair mais de 10% na segunda-feira 23, quando Donald Trump adiou por cinco dias um ataque ao Irã. Fontes dizem que a conta da estatal é feita na média do ano, não do dia ou da semana.
Importações caem 60% e ANP vê risco excepcional
As importações de diesel pelo Brasil recuaram cerca de 60% no início de março, segundo o InvestNews. A ANP classificou o abastecimento como "situação excepcional de risco", citando retração da oferta importada e dificuldade de recompor estoques.
O diesel de fora responde por cerca de 25% do consumo nacional. A Petrobras atende 70% do mercado interno, com refinarias perto de 100% da capacidade.
Os estoques podem se esgotar em cerca de três meses se os preços domésticos seguirem abaixo dos internacionais, disse Marcus D'Elia, da Leggio Consultoria. "A situação em que o governo se colocou, com subsídios e a Petrobras segurando preços, é o pior dos dois mundos", afirmou Pedro Rodrigues, sócio da CBIE.
Confaz discute ICMS nesta semana
O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) se reúne nesta semana para discutir um corte no ICMS dos combustíveis, medida que enfrenta resistência em ano de eleição.
O pacote do governo também taxa a exportação de petróleo. Uma das fontes afirma que a alta do Brent, de US$ 70 para perto de US$ 100, mais que compensa esse custo.