Petrobras segura reajuste e gasolina fica 45% abaixo do preço externo
Abicom calcula que a gasolina precisaria subir R$ 1,22 por litro nas refinarias para zerar a defasagem.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Petróleo ultrapassa US$ 100 o barril com a guerra entre EUA-Israel e Irã
Diesel e gasolina estão 85% e 45% abaixo dos preços internacionais, segundo a Abicom
Chambriard afirma que não houve pressão política para conter os preços
A presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, disse que a estatal vai esperar antes de repassar a alta do petróleo aos combustíveis. Ela quer confirmar se os preços elevados vão se sustentar antes de mexer nas refinarias.
A defasagem corrói a margem de refino. Segundo a Abicom, a gasolina sai das refinarias da Petrobras com desconto de 45% ante o exterior, e o diesel, com 85%. A associação de importadores calcula que seria preciso um aumento de R$ 1,22 por litro da gasolina para zerar a diferença, informou o Seu Dinheiro.
Se a diferença persistir, importadores privados deixam de trazer combustível e a estatal assume a importação, comprando caro fora e vendendo barato aqui, diz Edmar de Almeida, da PUC-Rio. Ele aponta um segundo efeito: distribuidoras passam a comprar nas refinarias da Petrobras para revender na área de influência de refinarias privadas.
Brent encosta em US$ 119 e fecha em US$ 98,96
O Brent chegou a US$ 119 na máxima de segunda-feira (9), maior nível desde junho de 2022. Fechou a US$ 98,96, com alta de 6,8% no dia. O WTI terminou a US$ 94,77, avanço de 4,3%.
A alta acumulada desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, passa de 35%. Chambriard afirmou, em entrevista à Bloomberg Television, que a estatal só vai agir com segurança: "Precisamos ter certeza de que não é uma tendência passageira". Até agora não houve pressão política para conter os preços nas bombas, segundo a InvestNews.
Reajuste já deveria ter saído aos US$ 80, diz Pires
Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE, afirma que a Petrobras deveria ter reajustado quando o barril atingiu US$ 80 e que a demora ficou mais difícil de explicar acima dos US$ 100. Lucas Queiroz, do Itaú BBA, espera que a estatal segure o repasse por um tempo.
Ruy Hungria, da Empiricus Research, diz que a teoria indica reajuste se o petróleo ficar muito tempo nesse nível, mas que não dá para saber quando isso ocorre, nem se vai ocorrer.
A empresa sustenta que a política interna segue inalterada. Na teleconferência do balanço do quarto trimestre de 2025, na sexta-feira (6), Chambriard disse que a estratégia não muda com a escalada das cotações.
Não há prazo definido para a estatal decidir. Nesta segunda, Donald Trump afirmou que a guerra contra o Irã pode terminar dentro da estimativa inicial de quatro a cinco semanas.