Em resumo
- Gastômetro do Estadão calcula R$ 354 bi; economista Marcos Mendes, R$ 215 bi
- Perdão a MEIs renuncia R$ 3,04 bi entre 2027 e 2029 para dívidas de R$ 12,57 bi
- Dívida bruta em 82,9% do PIB em agosto; Focus projeta 83,4% em 2026 e 95,1% em 2030
Economistas calculam que o pacote de gastos do governo Lula chega a R$ 354 bilhões e vai pressionar inflação, juros e dívida nos próximos anos. O segundo turno está marcado para domingo (25).
O número muda conforme quem conta. O Gastômetro do Estadão chega a R$ 354 bilhões, enquanto o economista Marcos Mendes, do Insper, calcula R$ 215 bilhões. Pelo estudo de Mendes, apenas R$ 9 bilhões entram no arcabouço fiscal, o que não anula o efeito econômico do restante das medidas, segundo a professora Margarete Campos Vieira, da Unicesumar.
Contas divergem por causa de crédito e renúncia
Margarete afirma que somar tudo em um número só mistura recursos mobilizados com custo fiscal. Uma linha de crédito de R$ 10 bilhões não custa R$ 10 bilhões ao Tesouro, porque o dinheiro volta. A conta real considera subsídio, custo de financiamento e inadimplência esperada.
Vladimir Maciel, coordenador do MackLiber, usa critério parecido. Gastos diretos e subsídios pesam de imediato no resultado primário; o crédito afeta a dívida bruta pela emissão de títulos; as garantias só entram se forem executadas.
Bolsa Família custa R$ 22 bi em 2027
O reajuste de 15,04% do Bolsa Família pesa R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027, na conta de Mendes. O advogado Pedro Abrão Júnior diz que a proposta orçamentária enviada em agosto não previa o aumento.
A Lei de Responsabilidade Fiscal dispensa compensação para reajuste que preserva o valor real do benefício, desde que os 15,04% correspondam à inflação acumulada e a despesa caiba no Orçamento. Jean Paolo Simei e Silva, do Fonseca Brasil Serrão Advogados, ressalva que a dispensa não elimina os demais controles.
O perdão aos MEIs andou mais rápido. Anunciado na terça-feira (13), passou pela Câmara no dia seguinte e foi aprovado pelo Senado por 78 votos a zero, no mesmo dia em que Lula prometeu tarifa zero. O PLP 186/2026 segue para sanção. A Fazenda estima renúncia de R$ 3,04 bilhões entre 2027 e 2029 para perdoar R$ 12,57 bilhões devidos por cerca de 3,6 milhões de MEIs.
Tarifa zero ainda sem estimativa oficial
A gratuidade nos fins de semana não tem cálculo do governo. A XP projeta R$ 11,8 bilhões por ano só com ônibus, e a NTU chega a R$ 20,8 bilhões incluindo trens e metrôs. A PEC da gratuidade só iria ao Congresso em 2027, se Lula for reeleito, e Lula associou o texto ao uso de emendas parlamentares, que somam R$ 49,9 bilhões em 2026 e são renegociadas a cada ano.
O segundo turno ocorre no domingo (25). Aprovado o perdão aos MEIs, o texto depende da sanção presidencial para valer.
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