Orçamento de 2027 precisa cortar R$ 39,8 bi para bancar promessas de campanha
Cinco das dez medidas anunciadas pelo governo seguem sem fonte de recursos definida, com impacto de R$ 23,7 bilhões até o fim de 2027.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Impacto total de R$ 39,8 bilhões: R$ 33,55 bi em despesas e R$ 6,27 bi em receita menor
Reajuste de 15,04% do Bolsa Família acrescentaria R$ 22,7 bi às despesas
Projeto prevê superávit de R$ 18,6 bi em 2027 e crescimento do PIB de 2,5%, contra 1,43% do mercado
As promessas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha exigem R$ 39,8 bilhões em ajustes no Orçamento de 2027. O valor reúne R$ 33,55 bilhões em despesas e R$ 6,27 bilhões em arrecadação que o governo deixará de ter.
A conta pressiona o superávit de R$ 18,6 bilhões previsto para 2027. Sem compensação, o resultado se dissolve, e a percepção sobre as contas públicas mexe na curva de juros, que define o custo de financiamento do governo e das empresas.
Cinco de dez medidas seguem sem compensação
O Times Brasil apurou que cinco de dez iniciativas anunciadas nas últimas semanas ainda não têm fonte de recursos detalhada. O impacto das medidas chega a R$ 74,6 bilhões até o fim de 2027, e R$ 23,7 bilhões dependem de definição.
O Desenrola 3.0 pode consumir até R$ 15 bilhões, limite fixado pela MP 1.393/2026, sem dizer de onde sairá o dinheiro. Cerca de R$ 6 bilhões são dívidas bancárias de MEIs, e os bancos terão de dar desconto mínimo de 90% para vender as carteiras ao governo.
No Prospera MEI, o PixMEI prevê repasses de até R$ 5 mil por empreendedor, ainda sem fonte orçamentária detalhada. O programa pode movimentar até R$ 5 bilhões ao longo de quatro anos e alcançar 1 milhão de MEIs, segundo o governo.
A Câmara aprovou na quarta-feira (14) a elevação do teto do MEI para R$ 110 mil em 2027, ante R$ 81 mil hoje. A partir de 2028, o limite sobe a R$ 140 mil, e o texto segue ao Senado.
Bets cortam R$ 5,3 bi da arrecadação de 2027
A proibição das bets corta R$ 5,3 bilhões da arrecadação prevista para 2027, pela MP 1.394/2026, e a equipe econômica ainda não disse o que substituirá o valor.
O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que elevou o mínimo de R$ 600 para R$ 691, já tem espaço indicado. O impacto adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 será coberto por uma revisão para baixo de R$ 11,5 bilhões nas despesas com Previdência.
A ampliação do Pé-de-Meia para universitários, de R$ 700 por mês e custo de R$ 4,6 bilhões por ano, sairia do Fundo Social do Petróleo, mas ainda não foi implementada.
Ajuste vai ao Congresso depois do relator
Gustavo Spínola, da Sincra, lembra que parte das propostas pode ser aprovada, rejeitada ou sequer votada pelo Congresso. Para ele, dívida pública menor e superávits ajudariam o país a recuperar o grau de investimento.
Só o reajuste do Bolsa Família, ainda fora do texto, acrescenta R$ 22,7 bilhões às despesas, segundo o Money Times. Consultorias da Câmara e do Senado apontam incerteza nas receitas. O governo projeta crescimento de 2,5% do PIB em 2027, acima dos 1,43% esperados pelo mercado. A arrecadação de R$ 42 bilhões com o Imposto Seletivo também é incerta, porque a alíquota não foi definida.
O governo levará os ajustes ao Congresso após a escolha do relator. O texto do MEI aprovado pela Câmara espera votação no Senado.