O BNDES pediu R$ 7,25 bilhões à Fazenda para reforçar o crédito a empresas atingidas pelo tarifaço de 25% dos Estados Unidos. O pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional na terça-feira, 14, antes da confirmação da medida por Washington.
Para os setores mais expostos, o socorro chega quando os pedidos de financiamento protocolados já somam R$ 18,4 bilhões, segundo o Times Brasil. Madeira, móveis, têxteis, máquinas, equipamentos e autopeças estão entre os mais vulneráveis à perda de competitividade no mercado americano, conforme o consultor Welber Barral.
Tarifa de 25% entra em vigor em 22 de julho
A decisão foi incluída na edição do Federal Register prevista para segunda-feira, 20, e passa a valer na quarta-feira, 22 de julho. Segundo o InfoMoney, a Apex calcula que a tarifa atinge 2.375 produtos, 19,2% da pauta exportadora aos EUA. Em valor, são US$ 7,235 bilhões por ano.
Ficaram de fora 699 produtos, o equivalente a 60,5% da pauta exportadora. A lista isenta US$ 22,817 bilhões em vendas e inclui carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, celulose e partes para aeronaves. O USTR rejeitou pedidos de exclusão para vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais.
São Paulo concentra US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bi sob a tarifa
O estado mais afetado é São Paulo, com US$ 3 bilhões do total de US$ 7,2 bilhões. Em Santa Catarina, a medida atinge 68% do volume exportado, e os dois estados juntos respondem por 52% do tarifaço.
No Paraná, a Fiep estima que 75% das exportações do estado podem ser atingidas, contra cerca de 30% no Brasil como um todo. O estado vende madeira serrada, compensados, pisos e molduras para a construção civil americana, e indústrias já instalam unidades em países vizinhos para escapar da sobretaxa.
Apex lança plano de R$ 130 milhões para novos mercados
A Apex anunciou um plano de R$ 130 milhões para diversificação de mercados. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse à GloboNews que o governo vai insistir nas negociações para reduzir a tarifa e buscar destinos na Europa, na Asean e na Ásia Central.
Barral avalia que os efeitos serão setoriais, não macroeconômicos, porque a tarifa atinge cerca de 4% das exportações brasileiras. A liberação da nova parcela do BNDES está em análise pelas equipes do Tesouro e do banco.