O Conselho Europeu aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, com assinatura marcada para 17 de janeiro, no Paraguai. Votaram a favor 21 dos 27 países do bloco; França, Hungria, Polônia e Irlanda foram contra, e a Bélgica se absteve.
A data da cerimônia foi informada pelo ministério das Relações Exteriores da Argentina, segundo o InfoMoney. Em nota conjunta, os ministérios brasileiros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio dizem apenas que local e data serão acordados entre as partes.
O acordo interessa a quem tem ações de frigoríficos e de papel e celulose. Analistas do Goldman Sachs preveem resultados melhores para a MBRF (MBRF3), com potencial de crescimento de um dígito baixo no Ebitda de 2027, e veem a JBS (JBSS32) beneficiada pela diversificação geográfica e pela presença consolidada na Europa. Já a Minerva (BEEF3) tende a melhorar margens e previsibilidade, diz Bruna Pacheco, sócia da GT Capital, que também vê ganho para papel e celulose.
Cota extra de 99 mil toneladas de carne bovina
A União Europeia abrirá uma cota adicional de 99 mil toneladas de carne bovina. O volume equivale a 1,6% do consumo europeu de carne bovina e a 1,4% do consumo de aves. O Mercosul dará à UE uma cota isenta de 30 mil toneladas de queijos, e as tarifas europeias sobre 92% das exportações do bloco sul-americano cairão ao longo de até dez anos.
Para o Goldman, as tarifas sobre produtos brasileiros não devem mudar, mas os volumes dentro das cotas aumentam. O banco cita cálculo do Ipea: com o acordo totalmente implementado, a produção brasileira de carne suína e de aves cresceria 9%.
Parlamento Europeu ainda precisa aprovar o texto
O acordo não entra em vigor automaticamente. O social-democrata alemão Bernd Lange, que preside a comissão de comércio do Parlamento Europeu, espera votação em abril ou maio, segundo o Times Brasil. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, prometeu tentar rejeitar o tratado na casa.
Os números de tamanho do bloco divergem entre as fontes. A nota dos ministérios brasileiros fala em cerca de 720 milhões de pessoas e PIB de mais de US$ 22 trilhões. O Antagonista cita 780 milhões de pessoas. Em 2024, a UE foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, 14,3% do total, segundo a CNI.
A assinatura está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai, conforme o governo argentino.