O JPMorgan rebaixou nesta terça-feira (11) a recomendação para neutro para as ações brasileiras, que antes estava em overweight, exposição acima da média dos índices. O banco também cortou o alvo do Ibovespa (^BVSP) no fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos.
A posição overweight, equivalente a compra, vinha desde março de 2025, segundo o Seu Dinheiro. Com o neutro, o banco passa a sugerir que grandes fundos carreguem a mesma fatia de ações brasileiras que o país ocupa nos índices internacionais de referência. O novo alvo implica alta de 7,45% sobre o fechamento de segunda-feira (10).
Fim do ciclo de juros e crédito mais fraco
Os estrategistas liderados por Rodolfo Angele e Emy Shayo Cherman justificam o corte com a proximidade do fim do afrouxamento monetário, a desaceleração do crescimento e a piora do ciclo de crédito. O JPMorgan projeta corte de 0,25 ponto na Selic em setembro, para 13,75% ao ano, e uma pausa longa até o segundo trimestre de 2027.
12 das 20 favoritas estão na B3
Mesmo com o rebaixamento do país, 12 das 20 favoritas na B3 compõem a lista de top picks do banco para a América Latina. Segundo o relatório, a maioria são companhias estabelecidas, com lucros mais previsíveis em um ambiente de incerteza macroeconômica.
A preferência recai sobre exportadoras e empresas menos expostas ao consumo doméstico:
- Embraer (EMBJ3), com novas encomendas e contratos na Índia no radar
- WEG (WEGE3), ligada a investimentos em transmissão de energia e mobilidade elétrica
- Suzano (SUZB3)
- Vale (VALE3), principal aposta em mineração, com minério entre US$ 95 e US$ 100 a tonelada
No setor financeiro, a escolha é o BTG Pactual (BPAC11); em combustíveis, a Vibra (VBBR3), segundo o InfoMoney. No consumo, o banco mantém cautela por causa dos juros altos e do endividamento das famílias, mas ainda lista RD Saúde (RADL3) e Bradsaúde (SAUD3).
Volatilidade antes das eleições de outubro
Em julho o Ibovespa subiu 3,47% e o dólar recuou 1,92% ante o real. Em agosto o mercado voltou a cair, e o banco espera volatilidade antes das eleições de outubro, apontando que ativos brasileiros costumam render menos nos seis meses que antecedem o pleito.
"No geral, tudo parece muito calmo por enquanto no que diz respeito aos preços, e optamos por ficar à margem antes da volatilidade que se aproxima", afirmou o banco no relatório enviado a clientes.
A próxima reunião do Copom, em setembro, deve trazer o último corte da Selic do ciclo na projeção do JPMorgan.