Em resumo
- Promessas de campanha: impacto estimado de R$ 40 bi no desequilíbrio fiscal
- Déficit primário projetado: 0,5% do PIB em 2026; até 1% em 2027
- Juro neutro revisado para 6,1% ao ano; chance de dívida bruta acima de 90% do PIB até 2030 em 81,6%
A IFI calculou que promessas feitas na campanha eleitoral podem acrescentar R$ 40 bilhões ao desequilíbrio das contas públicas. O número está no Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 117, divulgado em outubro. O valor não corresponde ao custo total das promessas de Lula, segundo a Forbes Brasil.
Para quem acompanha títulos públicos e risco fiscal, o déficit primário mede receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida. A IFI projeta déficit de 0,5% do PIB em 2026. Para 2027, vê chance de o resultado negativo chegar a 1%.
Juro neutro de 6,1% eleva superávit necessário
A IFI revisou a taxa de juros real neutra para 6,1% ao ano, acima dos 5% que usava antes. A revisão usou o terceiro trimestre de 2026. Com a taxa mais alta, o superávit primário necessário para estabilizar a dívida sobe para 2,9% do PIB.
A instituição calcula que seria preciso um ajuste fiscal de quase 3 pontos percentuais do PIB. A chance de a dívida bruta superar 90% do PIB até 2030 subiu. A IFI calcula probabilidade de 81,6%, contra 78,9% antes.
Crédito público soma R$ 220,3 bi até outubro
Os pagamentos da União para linhas de crédito com recursos do Orçamento somaram R$ 220,3 bilhões até outubro de 2026. Descontados os retornos ao Tesouro, a saída líquida foi de R$ 180,5 bilhões. Em 2025, havia sido de R$ 147,7 bilhões.
A IFI estima subsídio implícito entre R$ 10,2 bilhões e R$ 15,9 bilhões para operações contratadas em 2026. Essas operações não entram da mesma forma na meta fiscal, mas afetam a dívida pública.
BPC precisa de 782 mil cancelamentos para bater projeção
A despesa projetada do BPC para 2027 é de R$ 154,2 bilhões. A conta depende de quase 782 mil cancelamentos ao longo do ano. O estoque do benefício chegou a 6,6 milhões em agosto, recorde.
No RGPS, a despesa projetada é de R$ 1,215 trilhão. O Orçamento não inclui decisão do STF que derrubou a idade mínima para aposentadoria especial. O Ministério da Previdência estima R$ 13 bilhões a mais nas despesas de 2027.
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