Em resumo
- Selic está em 14% e projeções de juros futuros indicam novo ciclo de alta até 2028
- XP cortou estimativa do PIB do 2º trimestre de 0,5% para 0,4% e projeta 1% em 2027
- Daycoval calcula esforço de R$ 38 bilhões para o governo cumprir o piso do arcabouço fiscal
O conselho da Braskem (BRKM3; BRKM5; BRKM6) aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da companhia, anunciado nesta segunda-feira (24). A decisão chega uma semana depois de Casas Bahia (BHIA3) e Marabraz entrarem em recuperação judicial.
Quem tem ação ou crédito dessas empresas opera agora num mercado que fecha a torneira antes de o devedor quebrar. A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito do Banco Central mostra inadimplência e renda comprometida limitando o apetite dos bancos em 2026, e os balanços do segundo trimestre confirmam menos concessões.
Crédito encolhe com a Selic em 14%
Para Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, a deterioração é gradual. "Se tiver um sudden stop no mercado de crédito, poderemos ter uma recessão", afirmou. O volume de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial, diz ele, mostra que a economia não se recupera sozinha em 2027.
A XP cortou a projeção do PIB do segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para 2027, estima avanço de 1%, com viés de baixa. A agropecuária, um dos motores da atividade, deve sentir o El Niño e crescer 1,5% no ano que vem, na conta da casa.
Daycoval vê recessão distante e cobra R$ 38 bi de ajuste
Alexandre Maluf, economista da XP, aponta crédito e agropecuária como os dois riscos principais para 2027. Do lado fiscal, o Banco Daycoval calcula que o governo precisa de R$ 38 bilhões só para ficar dentro do piso do arcabouço. Ainda assim, projeta PIB de 1,5% em 2027 e vê risco baixo de recessão.
Rodolpho Tobler, do FGV/Ibre, também não crava contração: para ele, os dados ainda não sustentam falar em recessão, mas a tendência é de atividade mais fraca. A dívida pública subiu 12 pontos percentuais em quatro anos, segundo o InfoMoney.
Com cerca de 80 milhões de pessoas endividadas no país, a inadimplência das famílias tende a piorar conforme o desemprego sobe em 2027. Os juros futuros apontam Selic perto dos 14% até 2028.
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