Cade técnico aprova EMS-Medley com exigência de venda de ativos
Parecer aponta concentração acima de 90% em estimulantes da ovulação e 50% a 60% em remédios com naratriptana; Tribunal do Cade ainda vota.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Superintendência-Geral do Cade deu parecer favorável à operação, condicionado a um ACC com venda de ativos
EMS e Medley teriam mais de 90% das unidades vendidas em farmácias na categoria de estimulantes da ovulação
Compra da Medley foi anunciada em março por cerca de US$ 600 milhões, ou R$ 3,2 bilhões à época
A área técnica do Cade recomendou nesta quarta-feira (4) liberar a compra da Medley pelo Grupo EMS desde que as empresas vendam parte dos negócios. A palavra final é do Tribunal do Cade, que ainda vai votar a operação e as condições para autorizá-la.
Para quem tem Hypera (HYPE3) na carteira, a decisão encerra uma disputa: a companhia tentou ficar com a Medley e perdeu para o grupo da família Sanchez. A compra mexe com a concorrência em remédios usados em tratamentos de infertilidade, faixa em que as duas empresas juntas passariam de 90% das unidades vendidas em farmácias.
Empresas somam mais de 90% em estimulantes da ovulação
O parecer aponta dois segmentos problemáticos. No de estimulantes da ovulação, a EMS e a Medley ficariam com mais de 90% das unidades vendidas em farmácias. Um dos produtos é o Clomid, da Medley, à base de citrato de clomifeno.
Segundo o Cade, nenhum concorrente oferece essa mesma substância, e nenhum rival entrou nesse mercado nos últimos cinco anos. Os laboratórios consultados disseram não ter capacidade de elevar a produção de imediato para atender quem buscasse alternativa após um aumento de preço.
Na classe de remédios contra enxaqueca que inclui a naratriptana, a fatia conjunta fica entre 50% e 60% das unidades. Fora as empresas da operação, só a GSK vende a mesma substância, com o medicamento de referência. O Cade apontou a Libbs como a única concorrente capaz de fazer frente ao grupo depois da compra.
Análise passou por 120 cenários
A área técnica dividiu os medicamentos por categoria e canal de venda e chegou a 120 cenários. Em 70 deles, a operação se enquadrou na análise simplificada, por ter efeito limitado sobre a concorrência. A recomendação é condicionar a aprovação a um Acordo em Controle de Concentrações (ACC), que lista as obrigações das empresas.
Compra foi anunciada em março por US$ 600 milhões
O negócio foi anunciado em março por cerca de US$ 600 milhões, o equivalente a R$ 3,2 bilhões à época. Hypera (HYPE3), Aché, Biolab e a indiana Sun Pharma disputaram a Medley. A compra de 100% será feita pela Novamed, subsidiária do Grupo EMS, e inclui medicamentos, marcas, direitos de propriedade intelectual e duas plantas em Campinas (SP).
A Sanofi, atual dona da Medley, vende a empresa para concentrar esforços em produtos inovadores. A operação só será concluída depois do voto dos conselheiros do Tribunal do Cade, que vão decidir sobre a compra e as condições para autorizá-la.