Anvisa suspende propaganda do Semavy, caneta com receita prevista de R$ 407 mi
A venda segue liberada com receita médica retida em duas vias, e a decisão preventiva não tem prazo de vigência.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Anvisa suspendeu a propaganda do Semavy ao consumidor final em 25 de setembro
Venda continua liberada, com retenção de receita médica em duas vias
XP projetava R$ 407 milhões de receita e R$ 61 milhões de Ebitda com o Semavy em 2027
A Anvisa suspendeu a propaganda do Semavy ao consumidor final na sexta-feira (25). A caneta emagrecedora é a principal aposta da Hypera (HYPE3) no mercado de semaglutida.
A decisão é preventiva, não tem prazo de vigência e atinge a Cosmed, subsidiária que fabrica o produto. A agência cita anúncios em painéis do Aeroporto de Congonhas, no site do produto e nas redes sociais da marca.
A Resolução-RE nº 3.750 foi assinada em 23 de setembro. Ela aponta descumprimento do artigo 58 da Lei 6.360/1976, que restringe a publicidade de remédios de tarja vermelha a publicações para médicos, dentistas e farmacêuticos.
Sem falar direto com o consumidor, a Hypera perde a ferramenta central de marketing da linha que usa para diversificar a receita, hoje dependente de marcas como Neosaldina e Engov. O Citi já apontava o aumento das despesas de marketing como risco à margem de lucro da companhia.
Venda da caneta continua liberada, com receita em duas vias
A venda do Semavy segue permitida, mediante retenção de receita médica em duas vias, como ocorre com os demais medicamentos da classe GLP-1. O processo administrativo sanitário aberto pela Anvisa pode terminar em arquivamento, multa ou confirmação da suspensão.
O caso difere do da T36, caneta trazida irregularmente do Paraguai e vetada pela Anvisa em setembro por falta de registro sanitário. O Semavy tem registro válido, e o problema está apenas na publicidade.
"A companhia reforça seu compromisso com o cumprimento rigoroso da legislação sanitária e com a promoção do uso adequado e responsável de medicamentos", informou a Hypera à Bloomberg Línea.
Zempneo sem lançamento deixa Semavy como única frente
A Hypera também detém, pela Brainfarma, o registro do Zempneo, outro medicamento à base de semaglutida aprovado pela Anvisa em 29 de julho, o mesmo dia do Semavy. Relatório da XP Investimentos de 14 de setembro apontava que o Zempneo não tem plano de lançamento no curto prazo.
Com isso, o Semavy fica como única frente ativa do grupo na disputa por semaglutida enquanto durar a suspensão.
Ozivy, da EMS, já vendeu mais de R$ 90 milhões em dois meses
A concorrência avança por preço. A EMS recebeu aprovação da Anvisa a partir de 17 de agosto para versões genéricas do próprio Ozivy vendidas a 35% menos que o produto de referência, cerca de R$ 294 por caixa.
Para 2027, a XP projetava para o Semavy:
receita incremental de R$ 407 milhões
Ebitda de R$ 61 milhões
vendas de 150 mil canetas por mês
O Citi estimou para o terceiro trimestre Ebitda de R$ 781 milhões e fluxo de caixa livre de R$ 176 milhões, com a aceleração de despesas de marketing e de capital pressionando os dois indicadores.
Neste domingo (27), a reportagem da Bloomberg Línea viu peças do Semavy em uma tela de publicidade de farmácia no Shopping Morumbi, em São Paulo.