Cade aprova sem ressalvas compra de 73% da Desktop pela Claro por R$ 4 bi
Superintendência-Geral afastou riscos concorrenciais mesmo com sobreposição de redes em 198 municípios paulistas; 27% do capital segue na B3.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Negócio avaliado em R$ 4 bilhões, com R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão de dívida líquida.
Desktop soma 1,2 milhão de clientes em 198 municípios paulistas.
Claro ficará com 73% da Desktop e fará oferta pelos 27% restantes.
O Cade liberou sem restrições a compra da Desktop (DESK3) pela Claro, negócio de R$ 4 bilhões no mercado paulista de banda larga fixa. A Superintendência-Geral aprovou a operação sem ressalvas e afastou os receios que rondavam a união das duas redes.
Para o acionista da Desktop, o aval destrava a venda de 73% do capital da operadora ao grupo de telecomunicações. Os 27% restantes seguem negociados na B3 até que a Claro faça uma oferta para comprá-los.
A transação foi fechada em março por R$ 4 bilhões: R$ 2,4 bilhões pelos ativos e assumida pela Claro.
dívida líquida de R$ 1,6 bilhão
Sobreposição em 198 municípios paulistas
As duas empresas vendem banda larga fixa em 198 municípios, muitos deles com participação conjunta elevada depois da compra, segundo o parecer. A superintendência avaliou que a Claro terá baixa chance de exercer poder de mercado sozinha nesses locais.
“As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”, disse o Cade no parecer.
O órgão citou a infraestrutura de redes disponível e a atuação de provedores locais e de empresas nacionais. A própria Claro, diz o parecer, terá incentivo econômico para desocupar aos poucos as redes que ficarem redundantes.
Claro terá 28,3% e Vivo, 31% em São Paulo
Desktop: 1,2 milhão de clientes e 7,6% do mercado paulista
Claro: 4,5 milhões de clientes, com 28,3%
Vivo (VIVT3): 4,9 milhões de clientes e 31%
A Desktop chegou a negociar com a Vivo, mas as duas partes não acertaram o preço.
Anatel resistiu em 2025 e liberou em maio
Em outubro de 2025, uma análise preliminar da Anatel apontou que a compra poderia prejudicar a competição e dificultar a entrada de rivais. A agência deu anuência prévia em maio, quando a transação passou à avaliação formal.
A Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop. Os papéis serão vendidos pelo fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela HIG Capital, e por pessoas físicas, entre elas o fundador Denio Alves Lindo.
A empresa nasceu em 1997, em Sumaré (SP), recebeu aporte da HIG em 2020 e abriu o capital em 2021. Numa segunda etapa, a Claro fará uma oferta pelos 27% das ações que permanecerem no mercado.