Cade libera US$ 100 milhões da American na Azul com regras contra troca de dados
Representante da American deve se retirar de deliberações sobre preços e capacidade nas rotas Brasil-EUA, conforme o ACC imposto pelo tribunal.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 4 veículos. Como fazemos
Em resumo
Investimento da American é de US$ 100 milhões, equivalente a R$ 499 milhões, por aproximadamente 8% da Azul
Acordo com o Cade prevê retirada de representantes da American de discussões sobre preços, capacidade e estratégia nas rotas Brasil-EUA
American, United e Azul somam de 70% a 90% do trecho Houston-São Paulo, segundo a Superintendência-Geral
O Cade aprovou nesta quarta-feira (7) o aporte de US$ 100 milhões da American Airlines na Azul (AZUL3). A operação dá à americana cerca de 8% do capital total e votante, mas o tribunal condicionou o negócio a um acordo para limitar a influência da nova sócia em temas concorrenciais.
O dinheiro faz parte do plano que tirou a Azul do Chapter 11 em fevereiro deste ano. A aliança comercial entre as duas inclui compartilhamento de voos, integração dos programas de fidelidade e acesso a salas VIP. Uma reportagem do InfoMoney citou R$ 100 milhões; Times Brasil e InvestNews falam em US$ 100 milhões.
American ganha assento no conselho, sem veto
A American terá representação em um dos sete assentos do conselho de administração da Azul. Segundo as empresas, esses direitos não incluem veto nem quórum qualificado.
Representante sai da sala em temas sensíveis
O Acordo em Controle de Concentração (ACC) exige que preços, capacidade e estratégia nas rotas entre Brasil e Estados Unidos sejam identificados antes das reuniões. Nesses casos, o representante da American não recebe a informação ou sai da deliberação, e a Azul registra o impedimento em ata e guarda os documentos por cinco anos.
Novas compras de participação pela American em aéreas que voem entre os dois países terão de ser notificadas antes ao Cade. A companhia também precisa informar quem ocupará os assentos na governança até 10 dias antes da posse.
A relatora, Camila Cabral Pires Alves, afirmou que a entrada da American "acrescenta um canal institucional potencialmente relevante de informação e influência em ambiente no qual a United já se encontra presente".
Recurso da Abra é rejeitado
A Abra, holding que controla Gol e Avianca, recorreu em agosto para barrar o negócio e sustentou que American e United poderiam chegar juntas a cerca de 19% da Azul. Dados da Anac citados pela holding mostram que as três companhias somaram mais de 50% do mercado entre os dois países em todos os anos de 2016 a 2025.
A Superintendência-Geral havia liberado a operação sem restrições em 31 de julho. Em fevereiro, o Cade aprovou sem condições o aporte de US$ 100 milhões da United.
Dívida cai para 2,4 vezes o Ebitda
A Azul reduziu a alavancagem para 2,4 vezes o Ebitda no primeiro trimestre, ante mais de cinco vezes um ano antes. A meta é chegar a 1,5 vez em três anos. No fim de setembro, recebeu a primeira parcela de R$ 1,3 bilhão de um financiamento do BNDES de até R$ 2,6 bilhões.
A decisão será publicada nos próximos dias, junto com o ACC. Depois disso, a Azul pretende colocar em prática os acordos comerciais com a American.