Dívida pública pode chegar a 100% do PIB em 2029 sem ajuste, diz Tendências
Consultoria vê necessidade de superávit primário de 2,5% do PIB para estabilizar a dívida, acima das metas de Lula e Flávio.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Dívida pode atingir 100% do PIB em 2029 no cenário de ajuste insuficiente
Referência de superávit primário para estabilizar a dívida: cerca de 2,5% do PIB
Lula promete superávit de 1,3% do PIB até 2030; Flávio propõe ajuste de 1,5% do PIB em 18 meses
A dívida pública brasileira pode alcançar 100% do PIB em 2029 se o próximo governo não fizer um ajuste fiscal suficiente para conter os gastos. A projeção é da Tendências Consultoria e vale tanto para Lula (PT) quanto para Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno.
A economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências, disse em entrevista ao Mapa de Risco, do InfoMoney, que as propostas dos dois candidatos ainda não estabilizam a dívida. O obstáculo está nas despesas obrigatórias, que crescem por lei ou pela Constituição e limitam o controle do Executivo sobre o orçamento.
Superávit de 2,5% do PIB separa meta e ajuste necessário
Segundo a consultoria, estabilizar a dívida exigiria superávit primário de cerca de 2,5% do PIB. As simulações admitem resultados menores conforme outras variáveis, mas a Tendências considera difícil interromper o avanço da dívida no curto prazo.
"Os pontos que estão sendo sinalizados em termos de pontos a serem atacados não são suficientes, na verdade, para fazer o ajuste que a gente precisa", afirmou.
Quatro despesas obrigatórias travam o corte
A economista lista as áreas mais sensíveis:
valorização do salário mínimo;
gastos previdenciários e assistenciais;
mínimos constitucionais de saúde e educação;
emendas parlamentares.
Mudar essas regras depende de negociação política e pode enfrentar resistência no Congresso. Nem uma vitória de Flávio, com um Legislativo mais próximo de sua agenda, garantiria a aprovação das medidas.
Promessas de Lula e Flávio ficam abaixo do calculado
Lula promete preservar o arcabouço fiscal e atingir superávit primário de 1,3% do PIB até 2030. Flávio propõe ajuste de 1,5% do PIB em 18 meses, com nova regra fiscal, redução de impostos e corte da estrutura administrativa do Estado.
Para a Tendências, antecipar o ajuste ajudaria a estabilizar a dívida em um nível menor. A dúvida é a capacidade de converter as metas em medidas concretas. Alessandra vê dificuldade em conciliar o ajuste de Flávio com a redução de impostos e a manutenção de benefícios sociais.
O InfoMoney transmite ao vivo até sexta-feira (23), às 18h, e fará superlive de Política e Mercados na segunda-feira (26) para analisar o resultado das urnas e a reação dos investidores.