BC aponta desvio de R$ 11,5 bilhões no Banco Master via 36 empresas
Relatório cita retorno de 10.502.205,65% no fundo High Tower em 2024 e R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes vendidas ao BRB.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
36 empresas de fachada receberam R$ 11,5 bilhões em crédito fictício do Master; a Brain Realty tomou R$ 449,36 milhões
Papéis do Besc comprados por R$ 850 milhões foram lançados a R$ 10,8 bilhões; o fundo High Tower reportou retorno de 10.502.205,65% em 2024
BC pediu bloqueio de R$ 11,5 bilhões; seis fundos da Reag são citados como peças-chave
O Banco Central apontou ao Ministério Público um esquema que desviou R$ 11,5 bilhões do Banco Master por meio de empréstimos fictícios a 36 empresas de fachada. O relatório, obtido pelo Valor e citado pelo Times Brasil, lista companhias de pequeno porte usadas para tirar dinheiro do banco.
Quem tem CDB do Master depende do FGC para reaver o dinheiro, porque esses títulos contam com a garantia do fundo. O BC pediu o para ressarcir credores, entre eles fundos de pensão e o próprio fundo garantidor. A média desviada por operação foi de R$ 288 milhões, e a Brain Realty tomou sozinha R$ 449,36 milhões.
congelamento de R$ 11,5 bilhões
Crédito saía do Master e ia para fundos da REAG
O relatório descreve o trajeto do dinheiro em etapas:
as 36 empresas tomavam crédito no Master, muitas da construção civil e com capital social abaixo de R$ 1 mil
os recursos entravam nos fundos D Mais e Bravo, administrados pela REAG
o dinheiro seguia para o FIDC High Tower, que comprava cártulas, títulos de crédito do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc)
os papéis, sem liquidez, eram reavaliados e voltavam ao Master como CDBs em nome de laranjas
Papéis do Besc entraram no balanço por R$ 10,8 bilhões
Em um dos casos citados pelo BC, cártulas compradas por R$ 850 milhões foram lançadas no balanço por R$ 10,8 bilhões. Com a reavaliação, o High Tower reportou retorno de 10.502.205,65% em 2024. O ganho era o capital retirado do Master, devolvido ao banco como aplicação em CDB para simular aumento de capital.
O BC ligou o esquema à venda de R$ 12,2 bilhões ao BRB em carteiras de crédito que não existiam. Os controladores das duas instituições tentaram fazer aumentos de capital com recursos das contas de laranjas abastecidas pelos fundos da REAG.
Gestora nega ser alvo e cita supervisão da CVM
A REAG afirmou que não é alvo da operação e que os fundos citados são regulados e supervisionados pela CVM e pelo Banco Central. A gestora disse que todos os aportes são homologados pela autoridade monetária, que checa a origem dos recursos. O BC citou seis fundos da casa como peças-chave das movimentações, entre eles Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Maia 95 e Anna.
A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, informou que ele não pediu o envio de operações ao STF. Segundo os advogados, decisões judiciais anteriores afirmaram não haver relação de Vorcaro ou do banco com as operações Carbono Oculto, Quasar ou Tank.