BC nega que diretor tenha recomendado compra de carteiras do Master pelo BRB
Ailton de Aquino entregou ao MPF e à PF os registros das conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e abriu mão do sigilo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Mensagens atribuídas ao diretor do BC foram exibidas ao conselho do BRB em 25/03/2025
Oferta inicial do BRB era por 58% do Master por R$ 2 bilhões; depois caiu para 22% e foi vetada
Investigação aponta R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado falsificadas
O Banco Central negou nesta sexta-feira (23) que seu diretor de Fiscalização tenha pedido ao BRB a compra de carteiras de crédito do Master. Em nota, a autarquia afirmou que Ailton de Aquino jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas.
O BRB, estatal de Brasília que adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Master, foi orientado pelo BC a provisionar R$ 2,6 bilhões para cobrir a fraude, segundo o InfoMoney. A nota tenta separar a atuação da supervisão da decisão de compra, que a legislação atribui à própria instituição que adquire o crédito.
Diretor entrega conversas e abre mão do sigilo
Aquino colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal informações bancárias, fiscais e os registros das conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Renunciou ao sigilo sobre as conversas, conforme o comunicado do BC.
O BC sustenta que a área chefiada por Aquino identificou as inconsistências nas operações, comunicou os indícios ao MPF com análises técnicas e aplicou medida prudencial preventiva ao BRB. As mensagens atribuídas ao diretor foram reveladas pelo jornal O Globo.
Mensagens exibidas em reunião que aprovou oferta de R$ 2 bilhões
Segundo o Times Brasil, ao menos uma dessas mensagens foi apresentada ao conselho de administração do BRB em 25 de março de 2025, encontro que aprovou oferta de R$ 2 bilhões pelo Master, então dono de 58% das ações em negociação. Nos meses seguintes a proposta caiu para 22% e o BC vetou o negócio.
Dois conselheiros do BRB sugeriram suspender as compras, citando índice de liquidez abaixo do mínimo previsto na política interna de risco, segundo o Times Brasil. O banco estatal já comprava créditos do Master havia oito meses.
PF prende Vorcaro e BC liquida o Master
Em novembro, a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e outros seis executivos, e o BC decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master. As investigações de BC, PF e MPF concluíram que os contratos vendidos ao BRB foram falsificados, somando cerca de R$ 12 bilhões em carteiras inexistentes.
Nesta sexta, o BC afirmou que a análise da qualidade dos créditos cabe exclusivamente a cada instituição que os adquire em mercado. O próprio Aquino levou à Diretoria Colegiada a proposta de liquidação das empresas do grupo Master.