O Banco do Brasil (BBAS3) teve lucro de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, 53,5% menos que um ano antes. O resultado ficou levemente abaixo dos R$ 3,495 bilhões projetados por analistas consultados pela LSEG, segundo o InfoMoney.
Para quem tem o papel, o número veio junto com um corte na projeção de lucro do ano e um ROE de 7,3% no trimestre, o menor em quase uma década. A ação acumula queda de quase 25% desde o pico de fevereiro. Fechou o pregão de quinta (14) estável, a R$ 20,76, após cair 3,42% na abertura.
O lucro contábil somou R$ 3,1 bilhões, recuo de 54,4% na comparação anual, conforme o Times Brasil e a Suno Notícias. O retorno sobre o patrimônio líquido recuou de 16,7% um ano antes para 7,3%, abaixo também dos 12,4% do quarto trimestre de 2025.
Custo de crédito de R$ 18,9 bi derruba guidance de lucro
O banco cortou a projeção de lucro para 2026 de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. Na prática, o piso anterior virou teto, como resumiu o Seu Dinheiro.
A estimativa de custo de crédito no ano subiu para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, ante R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões. Só no trimestre, essa linha somou custo de crédito de R$ 18,9 bilhões, alta de 85,8% em 12 meses.
O agronegócio segue no centro da deterioração, mas XP e Genial apontam contágio para a pessoa física, cujos indicadores iniciais de inadimplência subiram quase 0,90 ponto. O JP Morgan criticou a credibilidade da gestão, citando cinco revisões de guidance desde o primeiro trimestre de 2025.
Inadimplência acima de 90 dias sobe para 5,05%
O índice de atrasos superiores a 90 dias ficou em 5,05%, ante 3,63% um ano antes e 5,17% em dezembro, segundo o InfoMoney. A carteira de crédito expandida somou R$ 1,3 trilhão, alta de 2,2% em 12 meses, e os ativos totais chegaram a R$ 2,6 trilhões, avanço de 7,6%.
O vice-presidente financeiro, Geovanne Tobias, admitiu que o ROE está "aquém daquilo que nós podemos entregar". A meta é chegar a 9% a 11% em 2026, em trajetória que o banco descreve como não linear, em formato de "W".
Ação fecha estável após cair 25% desde fevereiro
Os executivos atribuem parte da pressão a uma carteira herdada: apenas cerca de 25% do crédito agro já segue a nova matriz de risco do banco. A pontualização dos produtores melhorou de 70% para 74%, mas segue distante do nível considerado saudável.
Com o esforço de reforçar garantias e provisões, os dividendos extraordinários seguem fora do radar dos acionistas.