Azul desaba 86% em dois dias com diluição na troca de dívida por ações
Assembleia de 12 de janeiro vai votar a conversão de cada preferencial em 75 ordinárias, extinguindo as ações PN da aérea.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
AZUL54 caiu 63,55% por volta das 13h45 e acumula -85,97% em dois dias
Emissão de R$ 7,44 bi inclui 723,9 bi de ações preferenciais e 723,9 bi de ordinárias
Assembleia em 12/01/2026 propõe converter 1 preferencial em 75 ordinárias
As ações da Azul (AZUL3) caíram 86% em dois dias com a conclusão do aumento de capital que trocou dívida por participação de credores. Na quinta-feira (8), o papel recuava 63,55% por volta das 13h45, a maior baixa da B3.
A queda não vem de piora nas operações, e sim da diluição: o valor de mercado da companhia continuou o mesmo, agora repartido por muito mais ações. Quem já era acionista viu sua fatia no lucro encolher e vendeu, o que empurrou o preço ainda mais para baixo.
Preço por ação cai para R$ 0,0085
O valor perto de R$ 85 que aparece na tela é o do lote de 10 mil ações, e não o de um papel isolado, como explica o InvestNews. Na conta por ação, o preço de R$ 0,0085 fica perto dos R$ 0,010 fixados pela Azul na conversão de dívida em participação. A B3 adota o formato de lote quando o papel passa a valer frações de centavo.
Antes da reestruturação, a Azul tinha 3,025 bilhões de ações. Um lucro de R$ 1 bilhão distribuído renderia R$ 0,33 por papel, segundo o cálculo do InvestNews. Hoje o mesmo R$ 1 bilhão viraria R$ 0,001 por ação.
Azul emite 1,4 trilhão de ações e credores viram acionistas
A oferta da companhia, conforme o Seu Dinheiro:
R$ 7,44 bilhões em ações
723,9 bilhões de ações preferenciais
723,9 bilhões de ações ordinárias
Os veículos divergem no total de papéis: o InvestNews fala em 1 trilhão de novas ações; o Seu Dinheiro, em duas tranches de 723,9 bilhões. Os credores receberam os papéis, e os acionistas antigos, nenhum, já que a operação não abriu direito de subscrição a eles.
A Azul está em recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) desde maio do ano passado. A Justiça norte-americana aprovou o plano em dezembro, com aval de mais de 90% das classes de credores, e a companhia quer encerrar o processo no começo deste ano. Para Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, "a troca de dívida por equity sinaliza estresse financeiro, não crescimento".
Assembleia de 12 de janeiro vota fim das preferenciais
O conselho convocou assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para deliberar sobre o fim das ações preferenciais. Pela proposta, cada preferencial vira 75 ordinárias, e o capital da aérea ficaria todo em ações ordinárias. A votação está marcada para 12 de janeiro de 2026.