Em resumo
- Projeção para a Selic no fim de 2026 cai de 14,00% para 13,25%, queda de 0,75 ponto até dezembro
- XP espera corte de 0,25 ponto na reunião de setembro do Copom
- IPCA-15 na média móvel de três meses dessazonalizada recuou de 7,24% em junho para 2,70% em agosto
A XP cortou a projeção da Selic no fim de 2026 de 14% para 13,25%. A corretora deixou de trabalhar com pausa no ciclo e agora espera cortes nas reuniões restantes do ano, num total de 0,75 ponto percentual até dezembro.
A revisão muda o retorno esperado de quem tem dinheiro em renda fixa pós-fixada e o custo da dívida das empresas listadas. A XP é a primeira entre as principais instituições a refazer a conta depois do IPCA-15, leitura que a casa viu como boa notícia, mas insuficiente sozinha para garantir mais quedas de juros.
O relatório assinado pelo economista-chefe Caio Megale aponta que atividade e inflação vieram abaixo do esperado e que a desaceleração chegou antes do previsto. Para 2027, a projeção segue em 11,50%, com a convergência apenas antecipada.
Corte de 0,25 ponto já em setembro
A XP passou a projetar corte de 0,25 ponto em setembro e reduções graduais nas demais reuniões do ano, com a próxima marcada para 4 de novembro. Em 2027, o ritmo acelera para 0,50 ponto a partir do segundo encontro do ano, em março.
Os economistas reconhecem que o modelo do Copom ainda não indica continuidade do afrouxamento. A aposta é que isso mude quando o Comitê incorporar crescimento menor em 2027, ano para o qual a XP estima PIB de 1,0%. A casa calcula que a projeção implícita do Copom para esse ano fique entre 1,6% e 1,7%.
Núcleos do IPCA saem de 5% para 3,87%
Na média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada, a desinflação aparece em todos os recortes:
- IPCA-15: de 7,24% em junho para 2,70% em agosto
- serviços: de 6,33% para 4,37%
- industrializados: de 4,36% para 2,84%
- média dos núcleos: de 4,94% para 3,87%
O comprometimento de renda das famílias está acima de 28%, em máxima histórica segundo dados do Banco Central reproduzidos no relatório. Produção industrial, receita de serviços e vendas no varejo vieram abaixo do esperado, e as concessões de crédito perderam tração. A XP vê viés baixista na estimativa de alta de 0,3% do PIB no terceiro trimestre e no crescimento de 2,0% em 2026.
El Niño e diesel entre os riscos
A casa mantém riscos altistas no radar: alimentos mais caros com um El Niño intenso e realinhamento dos combustíveis, sobretudo do diesel, que está abaixo da paridade internacional, após as eleições. Também acompanha a discussão no Congresso sobre o fim da escala 6x1, que elevaria custos trabalhistas.
A revisão completa em 4 de setembro virá no relatório Brasil Macro Mensal.
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