O Copom cortou a Selic para 14% ao ano na quarta-feira (5), em 0,25 ponto percentual. Foi o quarto corte consecutivo do ciclo, aprovado por unanimidade.
A Selic baliza o CDI, os títulos do Tesouro e o custo do crédito das empresas. O Brasil continua no topo do ranking de juro real, segundo o Times Brasil, e o comunicado não indicou o que virá em setembro. Quem tem aplicação pós-fixada passa a render 0,25 ponto a menos; quem carrega prefixado ou ação depende da curva, que subiu no dia seguinte à decisão.
Comunicado não crava setembro
O colegiado repetiu que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações". O ciclo começou em março, quando a taxa saiu de 15%, nível mantido desde junho de 2025, lembram O Antagonista e o InvestNews.
As taxas dos DIs subiram na quinta-feira (6). O papel para janeiro de 2028 fechou a 13,865%, alta de 7 pontos-base, e o DI para janeiro de 2035 subiu 15 pontos-base, a 14,465%, segundo o InfoMoney.
"O Copom abandonou a ideia de que há muito espaço para cortar juros", disse Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.
A Suno Notícias apontou que o texto veio mais duro que o esperado e que o Copom endureceu o tom ao tratar o mercado de trabalho como "aquecido".
Inflação desacelera, mas fica acima do teto
O Copom reconheceu que a inflação cheia desacelerou, ainda acima do limite superior da meta, de 4,5%. As medidas subjacentes recuaram para pouco abaixo desse teto. O Seu Dinheiro destacou que a desaceleração do IPCA de junho e do IPCA-15 de julho veio disseminada entre os itens. As projeções do Banco Central:
- 2026: projeção de IPCA de 5,1%, ante 5,2% na reunião anterior
- 2027: 3,8%, acima dos 3,7% anteriores
- 1º trimestre de 2028: 3,2%, perto do centro de 3%
A pesquisa Focus projeta 5% para 2026 e 4,2% para 2027, ambas acima da meta. O Copom classificou o balanço de riscos como assimétrico para cima e citou El Niño, petróleo e câmbio depreciado.
Agro sente alívio pequeno
Para Gabriel Eisner, da Mhydas, o corte não chega direto ao produtor rural, que tem taxa definida pela política agrícola. O alívio aparece em cadeias que usam mais capital de giro, como aves, bovinos e suínos, disse ele ao Times Brasil.
A próxima reunião do Copom é em setembro, quando o colegiado decide se o ciclo continua.