O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 14,25% ao ano, em decisão unânime nesta quarta-feira (17). Foi o terceiro corte consecutivo desde março, quando a taxa estava em 15%.
Para quem tem dinheiro em título atrelado à Selic, a queda reduz o rendimento. Para quem tem ação, o juro ainda alto encarece o crédito e pesa sobre o consumo e sobre as empresas mais endividadas.
Comunicado mais duro com a inflação
O BC endureceu o tom. Afirmou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e superaram o limite superior da meta na última leitura. A meta é de 3%, com tolerância até 4,5%.
O Focus elevou a projeção de inflação deste ano de 4,86% para 5,30% desde abril. No modelo do BC, a inflação no horizonte relevante está em 3,7%, acima dos 3,2% de janeiro.
O comitê também citou risco de repasse de segunda ordem dos choques de petróleo e efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola. O texto não trouxe sinalização clara sobre os próximos passos.
Analistas divergem sobre pausa em agosto
Silvia Matos, coordenadora do Ibre/FGV, disse ao InvestNews que o Copom interrompe os cortes em agosto. Se confirmado, será o menor ciclo desde junho de 2002. Já Leonardo Costa, do ASA, projeta o fim do ciclo nesta reunião, mas vê espaço para retomar as quedas se o cenário melhorar.
Gabriel Arian, analista-chefe da Cultura Capital, disse ao Times Brasil que "ainda virão mais alguns cortes de 0,25 antes de uma manutenção durante este ano de 2026".
Fed tirou a orientação futura
Na mesma quarta-feira, o Fed manteve os juros em 3,5% a 3,75%, em decisão unânime, e encurtou o comunicado. Segundo o InfoMoney, a gestão de Kevin Warsh abandonou o forward guidance, a orientação futura sobre a trajetória dos juros. Para JPMorgan e Morgan Stanley, a mudança aumenta a incerteza e tende a elevar a volatilidade dos ativos de risco.
O Copom volta a se reunir em agosto.