Braskem sobe 6,2% após TJSP manter venda de controle à IG4 por R$ 2,8 bi
Desembargador Tasso Duarte de Melo negou efeito suspensivo ao recurso do Safra, credor de mais de R$ 560 milhões da petroquímica, e apontou risco de dano reverso.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
TJ-SP negou efeito suspensivo ao recurso do Safra contra a venda do controle da Braskem.
Bloco vendido ao FIP Shine tem 34,3% do capital total e 50,1% do votante, por R$ 2,824 bilhões.
Braskem negocia reestruturação de quase R$ 60 bilhões em dívidas e sofreu rebaixamento da Fitch e S&P.
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido do Banco Safra para suspender a venda do controle da Braskem (BRKM5) à IG4 Capital. O desembargador Tasso Duarte de Melo, da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, manteve aberto o caminho para a transferência das ações ao FIP Shine, fundo ligado à IG4.
A decisão tirou uma das incertezas sobre a operação, e a ação reagiu. Segundo o InfoMoney, o papel saltava 6,19% nesta quinta-feira, cotado a R$ 6,52, entre as maiores altas da Bolsa.
Desembargador nega efeito suspensivo
Conforme o Times Brasil, o Safra recorreu contra a decisão de primeira instância que autorizou a venda direta do controle pela NSP Investimentos, veículo da Novonor, ao FIP Shine. O banco alegou falta de processo competitivo, subavaliação do bloco e indícios de desvio de finalidade da recuperação judicial. O Safra é credor da Braskem em mais de R$ 560 milhões.
Tasso Duarte de Melo disse que a decisão de primeira instância se apoiava em parecer da administradora judicial e do Ministério Público. Também apontou risco de dano reverso caso a aquisição fosse suspensa.
Venda de 34,3% do capital por R$ 2,8 bilhões
O bloco vendido soma 226,3 milhões de ações ordinárias e 47,3 milhões de preferenciais classe A. Representa 34,3% do capital total e 50,1% do capital votante da petroquímica.
O preço de R$ 2,824 bilhões equivale a R$ 9,24 por ação. A administradora judicial calculou o valor pela média ponderada dos 90 pregões anteriores ao contrato e concluiu que fica acima da avaliação.
Os créditos que lastearam a operação pertenciam a Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDESPar. Foram comprados pelo Shine FIDC em dezembro de 2025.
Reestruturação de quase R$ 60 bilhões
A Braskem tenta renegociar dívidas que somam quase R$ 60 bilhões. Na semana passada, obteve tutela cautelar que determinou a suspensão de execuções por 60 dias.
Só neste mês, a companhia teria de desembolsar R$ 2,7 bilhões, principalmente com serviço da dívida. Fitch e S&P rebaixaram a petroquímica para níveis próximos de calote após o pedido.
A cautelar vale por 60 dias, prazo em que a Braskem tenta fechar o acordo com os credores financeiros.