Superávit de R$ 36,5 bi em outubro supera projeção, mas déficit anual chega a R$ 63,7 bi
Receita líquida subiu 4,5% em termos reais, para R$ 228,9 bilhões, enquanto as despesas totais avançaram 9,2% acima da inflação, puxadas por Saúde e Previdência.
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Em resumo
Superávit primário de R$ 36,5 bi em outubro, acima da projeção de R$ 32,2 bi
Déficit acumulado no ano chega a R$ 63,7 bi; meta prevê déficit zero com tolerância de até R$ 31 bi
Receitas líquidas somam R$ 228,9 bi (+4,5% real) e despesas totais, R$ 192,4 bi (+9,2% real)
O Governo Central registrou superávit de R$ 36,5 bilhões em outubro, o quarto melhor resultado para o mês desde 1997. O valor superou a projeção de R$ 32,2 bilhões da pesquisa Prisma Fiscal.
A comparação com 2024 mostra o tamanho do resultado: o superávit de outubro do ano passado foi de R$ 41 bilhões, já corrigido pela inflação. Para quem acompanha a dívida pública, o mês bom não fecha a conta, e o ano acumula déficit de R$ 63,7 bilhões, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados pelo Times Brasil. No mesmo período de 2024, o rombo era de R$ 62,5 bilhões.
A meta do arcabouço é déficit zero, com tolerância de 0,25% do PIB, o que autoriza rombo de até R$ 31 bilhões. O próprio governo projeta R$ 75,7 bilhões de déficit em 2025.
Arrecadação maior com IR e IOF puxa o mês
A receita líquida chegou a R$ 228,9 bilhões, alta real de 4,5% sobre outubro de 2024. As receitas administradas pela Receita Federal subiram 5,5% acima da inflação.
O Imposto de Renda rendeu R$ 4,6 bilhões a mais, e o IOF, R$ 2,3 bilhões, com a retomada da alíquota após decisão do STF. Os dividendos somaram R$ 2,8 bilhões, contra zero um ano antes.
Despesas sobem 9,2% e Previdência pesa
Mesmo com mais arrecadação, as despesas totais somaram R$ 192,4 bilhões, 9,2% acima da inflação. A expansão veio de:
Saúde: mais R$ 6,3 bilhões
Benefícios previdenciários: mais R$ 2,4 bilhões
Precatórios e decisões judiciais: mais R$ 1,5 bilhão
Investimentos públicos: R$ 7,6 bilhões, alta real de 27,7%
O Tesouro fechou outubro com superávit de R$ 57,4 bilhões, enquanto a Previdência teve déficit de R$ 20,7 bilhões.
Bloqueio de R$ 7,7 bi tenta segurar a meta
Para tentar cumprir a meta, o governo mantém R$ 7,7 bilhões bloqueados no Orçamento, sendo R$ 3,3 bilhões contingenciados recentemente.
As estatais federais devem fechar 2025 com rombo de R$ 9,2 bilhões, agravado pelos R$ 3,3 bilhões de prejuízo dos Correios. Nos 12 meses até outubro, o déficit primário soma R$ 41,9 bilhões, ou 0,35% do PIB.